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2 de junho de 2009

Desafio da Petrobrás: Tratar o CO2 do pré-sal

Pedro Soares

Uma das maiores emissoras de CO2 do país, a Petrobras anuncia que planeja deixar de lançar na atmosfera milhões de toneladas de carbono presentes nos reservatórios de petróleo e gás da camada pré-sal. As concentrações de carbono no local são muito maiores do que em outros campos petrolíferos.

Estimativas apontam que somente nas duas áreas com reservas delimitadas -os campos de Tupi e Iara, onde há um acúmulo de até 12 bilhões de barris de óleo e gás- existam 3,1 bilhões de toneladas de CO2, um dos gases que contribuem para o aquecimento do planeta.

Para evitar que todo o gás pare na atmosfera, a solução é investir em tecnologia. A companhia quer reinjetar o CO2 extraído do pré-sal nos próprios reservatórios (veja à direita).

Segundo José Formigli, gerente da Petrobras para exploração e produção do pré-sal, o acúmulo de CO2 nas reservas da bacia de Santos é gigante e seriam liberadas "milhões e milhões de toneladas". Como o gás carbônico é um contaminante para o gás natural e não tem valor comercial, normalmente ele é lançado na atmosfera, afirma o gerente.

Desde o início deste mês, a Petrobras realiza o teste de longa duração de Tupi, uma produção piloto para avaliar as condições do reservatório que já dispõe da nova tecnologia de reinjetar no poço o CO2 extraído do fundo do mar.

Para atender uma exigência ambiental da ANP (Agência Nacional de Petróleo), a produção de petróleo na área está limitada. O teto é de 500 mil metros cúbicos, o que permite retirar 15 mil barris/dia do campo, metade da capacidade.

Formigli diz que a reinjeção é viável e seu emprego se justifica pelo grande passivo ambiental que seria gerado caso o CO2 fosse liberado. "Dentro de alguns anos, será socialmente inaceitável lançar tamanha quantidade de carbono".

Isso porque a produção será muito grande -somente numa fase inicial do desenvolvimento do pré-sal, a Petrobras estima instalar 10 plataformas com capacidade de produção de 150 mil barris/dia.

Para a Petrobras, não é possível estimar as emissões de carbono do pré-sal, pois não se sabe a produtividade dos campos.

Alexandre Szklo, professor de planejamento energético da Coppe, calcula que as emissões vão superar os 3 bilhões de toneladas somente com o carbono contido nos reservatórios. A conta considera o percentual de 10% a 15% de CO2 nos campos do pré-sal, concentração bem maior do que os 5% das demais reservas do país.

Nessa estimativa, não está embutido o CO2 que só será liberado com a queima dos combustíveis em veículos, caldeiras, entre outros usos.

De acordo com Szklo, a técnica de reinjetar o CO2 em poços de petróleo é conhecida, mas não é utilizada em escala comercial. Esse, diz, é o maior desafio da Petrobras.

Ao mesmo tempo, diz ele, a empresa precisa encontrar alternativas para o CO2, pois, caso contrário, será uma das companhias de petróleo que mais emitem na Terra. E levará ainda o Brasil ser obrigado a cumprir metas de emissão como países de matriz energética "suja", casos de China e EUA.

O país tem um problema grave com as emissões geradas pelas queimadas, mas não pelo uso de energia, como ocorre na maior parte dos países.

"Para o Brasil, as emissões do pré-sal podem ser ruins, embora o óleo do pré-sal venha a substituir o petróleo pesado da bacia de Campos, cujo potencial de CO2 na queima dos derivados é maior. Para a Petrobras, certamente as emissões vão crescer na área de produção de petróleo", diz

Mas para o mundo, isso não deve ocorrer. "O petróleo do pré-sal vai deslocar o consumo de óleos mais pesados, mais poluentes, como as areias betuminosas do Canadá e o petróleo ultrapesado da Venezuela".

Folha de SP, 31/5

21 de novembro de 2008

Discutindo

Durante os dias 26 a 28 de novembro,técnicos e cientistas de vários países se reúnem no Rio de Janeiro, para participarem do Seminário sobre Recursos Minerais do Atlântico Sul e Equatorial.
O evento, que será transmitido via online para todo o planeta pelo site do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), será realizado no Hotel Pestana, localizado na Avenida Atlântica nº 2964, Copacabana (RJ).
Entre os participantes foram convidados formuladores de políticas públicas e instituições de pesquisa do Brasil e do exterior envolvidas com recursos do mar.
Entre os objetivos destacam-se: despertar o caráter estratégico de área oceânica internacional para o Brasil; discutir formas de divulgar e promover estudos e pesquisas futuras, tendo por base experiências internacionais; despertar o interesse dos países do Atlântico Sul sobre o tema; entre outros.