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21 de agosto de 2020

ÁGUA: UM PERIGO INVISÍVEL

“A água de boa qualidade é como a saúde ou a

liberdade: só tem valor quando acaba”

Guimarães Rosa

            Todos nós estamos cansados de repetir: água é vida! E, como prova, aqui poucos não tem um poço de água na sua casa pra satisfazer seus desejos de um banho ou de lavar os utensílios e as roupas sujas. Outros usam o (péssimo) serviço público de distribuição.

            A gente percebe a importância deste líquido quando vai pra praia, nos igarapés ou quando está com sede e vai se deliciar com um copo (ou vários) d’água bem gelado. Mas, quando vamos à praia ou beber o líquido e a água estiver com aparência suja, a gente torce o nariz, nem bebe a água e vem um desgosto imenso por isso. Agora imagine se você nem enxergar essa sujeira?

            A nossa saúde e de nossos filhos vem da água que bebemos: se tomar um líquido impróprio para o consumo vem as doenças intestinais (diarreia, vomito, vermes etc.); outros nem precisam beber: basta ir pro banho onde instintivamente se bebe a água contaminada, que pode ser proveniente de esgoto ou depósito de lixo a céu aberto. Tudo isso quando a água é ingerida sem a gente saber dos perigos que ela esconde... e quando a gente sabe e, mesmo assim, continua fazendo?

            Há muito tempo, para se livrar desses perigos invisíveis da água foi concebida a figura da água mineral, que é retirada do subsolo e se torna filtrada, devido às rochas onde estão armazenadas. Por definição da Agência Nacional de Águas (ANA), água mineral é aquela captada de fontes, com composição química ou propriedades diferentes das águas comuns, com características que confiram uma ação medicamentosa. Por isso, a ANA não regula a sua exploração ou comercialização, sendo competência da Agência Nacional de Mineração (ANM) e aí mora o perigo, pois só há a regulação e nada de fiscalização.

            As regras para fazer a captação e comercialização da água mineral são extensas e estas, relativamente, caras. Não é qualquer água que pode ser captada e ser transformada em água mineral; umas tantas são captadas irregularmente, engarrafadas e vendidas aos consumidores desinformados do perigo invisível. Infelizmente, muitos de nós não leem os rótulos destes produtos sobre composição, local de captação e vencimento. A água para ser boa tem que ser captada em um local protegido da presença de animais domésticos e longe de locais contaminados. É claro que dificilmente iremos constatar no local a sua procedência e qualidade e pra isso existem os órgãos fiscalizadores. Então vamos a um exemplo prático: alguém acha que uma água captada nas proximidades do lixão de Itaituba tem boa qualidade e não causa doenças? E a Secretaria de Saúde tem elementos para determinar quantos habitantes estão adoecendo por ingestão de água contaminada? A Divisão de Vigilância Sanitária tem conhecimento das regras e pode recomendar o consumo deste líquido? E quando se compra essa água levamos em conta a nossa responsabilidade com a saúde da família? E o empresário que coloca este perigo invisível na sua mesa é responsável?

            Então é bom lembrar um ditado de nossos avós: “Precaução e caldo de galinha não faz mal a ninguém.”

            Finalmente fica um alerta básico que deve ser cuidado em evitar este inimigo invisível:

  • ·        Compre os produtos de boa qualidade. Nem sempre o menor preço é mais saudável;
  • ·        Usando água de fontes públicas coloque uma gota (0,5 mg/L) de cloro (hipoclorito de sódio) num garrafão de 20 litros para desinfectar;
  • ·        E beba bastante água saudável, pois nosso corpo tem 70% de água na sua constituição.

Saúde!

6 de maio de 2020

Atente ao rótulo quando comprar água engarrafada

A despeito de toda publicidade sobre refrigerantes e cervejas e da discussão da fusão das suas indústrias, a água ainda é o líquido mais apropriado e utilizado para se matar a sede. Tanto que algumas empresas lançaram recentemente uma nova concorrente para as águas minerais de mesa: as águas adicionadas de sais.

Preocupados com o consumidor desatento, os técnicos da Fundação Procon-SP recomendam atenção às informações do rótulo, uma vez que as embalagens de águas adicionadas de sais são semelhantes às de água mineral e seu preço um pouco inferior.
 - As primeiras são águas potáveis comuns, que após a eliminação de resíduos de cloro usados na sua purificação são adicionadas de sais minerais de uso permitido como cálcio, magnésio, potássio ou sódio. Seu rótulo deve incluir a expressão ''ÁGUA ADICIONADA DE SAIS" em caracteres visíveis que a diferencie claramente da água mineral. É proibida a denominação "'água mineral" e derivações como "água mineralizada" ou ainda qualquer indicação relacionada a propriedades terapêuticas. Elas podem conter gás, como dióxido de carbono de padrão alimentício (o mesmo empregado nos refrigerantes).

 - Já as águas minerais tradicionalmente conhecidas são provenientes de fontes naturais ou de fontes captadas artificialmente. Possuem composição química ou propriedades físicas ou físico-químicas distintas das águas comuns, que podem lhe conferir ação medicamentosa, embora nenhuma designação quanto as suas propriedades terapêuticas possa constar no rótulo sem prévia autorização. Estas águas são classificadas de acordo com o elemento químico predominante, e podem ser termais ou gasosas (natural ou artificialmente).

De qualquer forma, as águas minerais devem conter em seus rótulos:

 - o nome da fonte;

 - a natureza da água;

 - a localidade;

 - a data e número de concessão da lavra;
 - o nome e o endereço do concessionário;

 - as constantes físico-químicas;

 - a composição analítica e classificação,

 - além de dados como volume do conteúdo e indicação com ano e mês do engarrafamento e prazo de validade que são informações obrigatórias para todas as águas engarrafas.

Esta é única forma do consumidor se resguardar de enganos e não levar "gato por lebre".


Fonte: Procon/SP

18 de fevereiro de 2013

Água da COSANPA

De acordo com a Lei 6.929, de 12 de Dezembro de 2006, postos de combustíveis e empresas de lavagem estão proibidos de utilizar água da Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará) para lavar veículos.

Aqui é proibido tomar banho com esta água suja e de captação duvidosa.
Cada um se vira como pode captar, tomar banho e lavar seu veículo.

6 de agosto de 2009

A nova obsessão verde

Nos últimos anos, a onda verde transformou uma expressão quase incompreensível em algo corriqueiro dentro de muitas empresas - a contagem de emissões de carbono. É comum hoje encontrar exemplos de cálculos meticulosos de gases de efeito estufa jogados na atmosfera até mesmo em atividades cotidianas, como viagens aéreas de executivos. Na busca para reduzir o próprio impacto ambiental, porém, já não basta diminuir (ou mesmo neutralizar) essas emissões. A nova obsessão das empresas é rastrear o consumo de água envolvido na produção de um bem. Como era de esperar em se tratando desse mercado, a tendência vem acompanhada de um conceito um tanto obscuro: água virtual. A nova bandeira dessa corrida sustentável foi levantada para valer em abril pela Raisio, fabricante de cereais finlandesa, com faturamento de 500 milhões de euros em 2008. A Raisio não apenas mediu o uso de água para a produção da linha Elovena - dos campos de aveia ao supermercado - como também se tornou a primeira companhia no mundo a estampar em sua embalagem o número de sua "pegada" (jargão que no mundinho verde significa o impacto ambiental de uma empresa). Segundo a Raisio, para fabricar 100 gramas de aveia em flocos são consumidos, ao longo de toda a cadeia de produção, 101 litros de água. "Boa parte dos consumidores ainda não entende o conceito", disse a EXAME Pasi Lähdetie, vice-presidente de comércio de grãos da Raisio. "No futuro, porém, será algo tão compreendido como o carbono."

O movimento feito pela Raisio começa a ser trilhado também por outras grandes companhias em todo o mundo. A americana Levi Strauss calculou que a fabricação de cada jeans do tradicional modelo 501 consome quase 2 000 litros de água. A Coca-Cola estimou que a fabricação de uma lata de 300 mililitros do refrigerante exija até 60 litros de água (quase 200 vezes o volume de uma latinha). A rede de cafeterias Starbucks anunciou que concluirá neste ano o primeiro rastreamento de consumo de água por toda a empresa - das lojas e escritórios até seus fornecedores de café. Todas seguem o conceito criado em 2002 pelo holandês Arjen Hoekstra, professor de gerenciamento de água da Universidade de Twente, na Holanda. Do ponto de vista ambiental, trata-se de um tema tão premente quanto o aquecimento global - tanto para empresas quanto para governos. Segundo o mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês), em pouco mais de 15 anos dois terços da população mundial deverão enfrentar escassez de água. "Não estamos usando esse recurso de maneira sustentável", afirma Hoekstra. "E rastrear a cadeia é o primeiro passo para tornar esse consumo mais racional."

A primeira dificuldade da empreitada é que, ao contrário das emissões de carbono, não há modelos prontos disponíveis para ser seguidos. Em dezembro, uma rede mundial de ONGs, cientistas e cerca de dez empresas criou a Water Footprint Network para discutir pela primeira vez uma metodologia única para a avaliação da água virtual. As companhias que já começaram a estimar a quantidade do recurso utilizado nas cadeias de produção, portanto, criaram os próprios métodos dentro de casa a partir do ponto zero. No caso da Raisio, o processo levou cerca de três meses e exigiu uma equipe de seis funcionários de áreas distintas (entre fábrica e relacionamento com fornecedores), além de um consultor externo, que já havia ajudado a empresa na determinação da pegada de carbono. Trata-se de uma tarefa complexa, sobretudo porque o levantamento considera informações que estão fora da empresa. Parte do trabalho incluiu visitas a produtores atrás de informações, como o tipo de fertilizante usado na preparação do solo. Por enquanto, a única medida prática tomada pela companhia finlandesa foi colocar a informação na embalagem dos produtos. "O próximo passo é reduzir nosso consumo", afirma Lähdetie.

Eis aí uma etapa tão ou mais complexa que o cálculo do rastro ambiental. Os estudos da Levi Strauss, por exemplo, mostraram que apenas 6% do consumo de água estava associado aos processos industriais da empresa. A maior parte do recurso é consumida pela agricultura do algodão (49%) e pelo pós-consumo (45%) nas lavagens das roupas. "Percebemos que, para levar adiante o compromisso com a sustentabilidade, era preciso agir no ponto extremo da cadeia, sobretudo com agricultores, e não apenas no processo industrial, onde estávamos focados até então", afirma Colleen Kohlsaat, gerente de sustentabilidade da Levi Strauss. "O desafio é que temos uma capacidade menor de influenciar esses extremos do que temos de agir em nossas próprias operações." Na prática, a constatação levou a empresa a investir em parcerias com ONGs como a Better Cotton Initiative, que atua na educação de agricultores do setor algodoeiro, para adotar técnicas com menos impacto ambiental. A Coca-Cola tomou a mesma decisão ao incentivar métodos literalmente mais enxutos de produção de beterraba e cana-de-açúcar, usados como matéria-prima na composição dos refrigerantes.

Diferentemente do que ocorre com as emissões de carbono, que podem ser compensadas com a compra e a venda de créditos, num mercado já estruturado, o sistema de compensação da pegada de água ainda é nebuloso. Por isso, muitas empresas estão criando as próprias regras. Uma delas é a Pepsico. A companhia iniciou um projeto em lavouras de arroz da Índia, no qual substitui a tradicional irrigação por alagamento por uma técnica capaz de reduzir 30% do uso de água (o arroz é usado na fabricação de alguns salgadinhos). Segundo a empresa, se estendesse a área dedicada ao novo sistema de plantio dos atuais 400 hectares para 2 000 hectares, a economia gerada seria capaz de compensar toda a água usada pelas três fábricas da Pepsico na Índia. "Uma mudança pequena pode ter um impacto enorme", diz Dan Bena, diretor de desenvolvimento sustentável da Pepsico. Os especialistas, no entanto, são mais céticos. "No caso da água, não há como compensar os danos", afirma o professor Hoekstra. "A não ser que você reponha água na mesma qualidade, quantidade e exatamente no mesmo local, não existe como neutralizar seu impacto."

Em alguns pontos do planeta, a falta de água já é um problema concreto para muitas empresas. Há dois anos, a fabricante de cerveja sul-africana SABMiller identificou que 30 de suas fábricas estavam em regiões que corriam risco iminente de falta de água. Uma das operações mais arriscadas era a da Tanzânia, onde o uso excessivo das reservas subterrâneas por indústrias locais estava reduzindo a quantidade e piorando a qualidade das fontes de água potável. A saída foi iniciar um programa de reutilização do recurso na unidade. Em novembro, a cervejaria anunciou a meta de cortar 25% de seu consumo de água em todas as suas 139 fábricas até 2015. A medida representará uma economia de 20 bilhões de litros de água por ano - e pode determinar a própria perpetuação de seu negócio.

Por Serena Calejon, Revista EXAME

26 de maio de 2009

Algo Mais que Água e Árvores

Do Ambiente Acreano, uma análise de Moisés Diniz, deputado estadual pelo PC do B (Acre):

Quanto texto, conferência, dissertação, opinião, tinta, tipografia, hemorragia de letras e quanto verbo acerca da necessidade de manter preservada a floresta. Só a quantidade de celulose utilizada em bilhões de páginas de papel, escritas sobre o assunto, reporia 2% da floresta devastada do planeta. E ninguém sugere que olhemos para as nossas origens na floresta, após a nossa longa, fria e tenebrosa passagem pelas águas.

Temos um medo abissal de olhar para as extremidades de nossos dedos e descobrir que, durante quase um século de milhões de anos, resistimos nas árvores. Nossas garras, que depois se transformaram em mãos, guardaram as marcas digitalizadas das cascas das árvores. Quando vamos retirar a nossa carteira de identidade, o nosso polegar denuncia a nossa origem animal e as marcas indeléveis que ficaram do tempo inestimável de nossa vida braquiadora na floresta.

Viemos de uma resistência biológica e ecológica de milhões de anos. Nossos antepassados, esgotado o período de especiação, estão na floresta a nos lembrar que a única coisa que nos separa dos mamíferos inferiores é a palavra e o raciocínio lógico. Isso já basta para entendermos que entre nós e os mamíferos inferiores deve existir uma cumplicidade que não deixa de ser gratidão

Além de termos vindo de lá, a partir da evolução das espécies, nos alimentamos de sua carne e de seus frutos. Mesmo os animais domesticados um dia viveram na floresta. A partir das florestas ocupamos as planícies, as cavernas. De lá retiramos as nossas primeiras ferramentas, nossos nomes e vestimentas.

À exceção do sal, o que consumimos que não tenha vindo da floresta? Até os combustíveis fósseis são resultados de trilhões de árvores envelhecidas, apodrecidas e soterradas no quase intocável subsolo do planeta.

Tudo o que temos de mais forte e mais precioso em nossa carga biológica, genética e humana foi adquirido e aperfeiçoado na floresta. Nossas mãos retráteis nasceram do contato rústico e dolorido com as cascas das árvores. Nosso esqueleto de alta resistência e formidável elasticidade óssea foi construído entre os galhos, em nosso deslocamento arbóreo. Nossa visão estereoscópica é fruto da vivência entre as folhagens da copa das árvores.

Adquiridas essas ferramentas biológicas e esgotado o alimento em nosso nicho ecológico arbóreo, como uma espécie fugindo da extinção, descendo ao solo das imensas florestas, antes de nos aventurarmos nas planícies. Nas florestas demarcamos os nossos territórios, organizamos as nossas hordas e famílias e iniciamos o manuseio primitivo das primeiras ferramentas.

Antes de nossa espécie ter realizado a curva pré-histórica de supremacia ‘espiritual’ entre si e os animais inferiores, a alma não era exclusividade do homo sapiens. Os animais da floresta, especialmente os mais fortes e os mais inteligentes, eram dotados de espírito, que orientavam ou puniam o homo erectus. O espírito do búfalo, do urso, do leopardo, da águia, da serpente.

No longo período de transição entre o primata e o homem, nós vivíamos numa relação desigual com o meio ambiente e seus recursos naturais poderosos. Sofremos intempéries mortais do tempo glacial, da chuva ácida, do sol escaldante, dos vulcões, das torrentes e das tempestades. As feras da floresta nos dizimavam como formigas e nosso tempo era curto em cada território e caverna.

Então, decidimos nos vingar, nos transformamos numa força geológica. Entre 1500 e 1800 foi eliminada uma espécie em cada 10 anos. Entre 1800 e 1900 foi eliminada uma espécie a cada ano. Em 2000 desapareceram 10 espécies por dia. Atualmente, cerca de uma espécie está desaparecendo por hora. Entre 1970 e 2000 desapareceram aproximadamente 20% de todas as espécies de vida.

A partir de 1900 perdeu-se a quinta parte da superfície cultivável e das florestas tropicais. De 1970 a 1990 o desmatamento foi de 20 milhões de hectares. Atualmente, cerca de 10 milhões de hectares são desmatados ou degradados por ano, o que representa uma área do tamanho de um campo de futebol a cada dois segundos.

Mais de 70% das florestas originais já foram destruídas e somente 20% das florestas nativas permanecem intactas. Uma árvore é plantada para cada dez que são derrubadas. Nesse ritmo, a floresta tropical restante estará destruída até 2050. O planeta já perdeu metade de sua extensão florestal original, principalmente nos últimos 150 anos.

Alguns estudiosos afirmam que esta é a maior onda de extinções desde o desaparecimento dos dinossauros há 60 milhões de anos. Mais de 20% dos mamíferos, mais de 10% dos pássaros e cerca de 15% das plantas enfrentam essa ameaça, em grande parte devido à destruição do seu habitat. Somente no Brasil, mais de 80 culturas humanas foram perdidas e, nos próximos 20 anos, o mundo verá a perda de milhares de espécies de plantas e de animais.

A cada ano perdem-se 20 milhões de toneladas de húmus por causa da erosão, salinização e desertificação e, devido à degradação do solo, o planeta perde por ano mais de seis milhões de hectares de terras cultiváveis.

Na última metade do século passado o mundo perdeu 60% de suas reservas de água potável. A quantidade de água potável que está acessível – seja em lagos, rios ou represas – representa menos de 0,25% do total de água doce. Em 1990, 25% da população da América Latina e do Caribe não tinham acesso à água potável.

Estima-se que mais de 2 bilhões de pessoas no mundo não tenham acesso à água potável e mais de 4 milhões (um número dez vezes maior que o de mortos em guerras em todo o mundo), crianças na maioria, morram, a cada ano, de doenças causadas por água contaminada que provoca milhões de enfermidades.

A cada ano 500 milhões de toneladas de lixo perigoso são produzidas no mundo. Apenas os Estados Unidos da América são responsáveis por 50% desse lixo. A biodiversidade dos ecossistemas de água doce diminuiu mais de 40% de 1970 até 1990.

Já o ecossistema marinho perdeu cerca de 30% de sua biodiversidade nestes mesmos 20 anos. O consumo de fertilizantes aumentou de maneira brutal e inaceitável, saindo de 10 para 60 milhões de toneladas por ano no intervalo de 20 anos.

Desde o ano de 1960 cerca de 500.000 espécies têm desaparecido e cerca de 40.000 estão ameaçadas. O aumento da extinção pode ser agravado pelo altíssimo e desenfreado consumo humano, pela poluição dos recursos naturais, através do aquecimento global e pela elevação do nível do mar.

A nossa vingança se voltou contra nós mesmos e estamos a destruir as últimas reservas de água, floresta e toda a acumulação primitiva de recursos naturais. Estamos matando a nossa galinha dos ovos de ouro e sequer a maioria da população tem acesso aos ovos.

"Uma minoria consome os recursos naturais, que se tornam bens sofisticados, enquanto a maioria da população do planeta não sabe o que é beber água potável e alimentar-se três vezes ao dia. Apesar disso, o planeta está se exaurindo e deixando órfãs de seus recursos naturais as gerações do futuro".

No decorrer dos séculos, com o avanço da tecnologia, perdemos a cumplicidade entre o ser humano e o espaço verde que nos criou e nos alimenta. Os homens que dirigem o planeta são os antigos mamíferos que se tornaram lobos do semelhante. Eles cuidam de sua alcatéia, de sua minoria, a controlar e consumir os recursos naturais com cérebro de lobo e estômago de lagarta.

Talvez uma maldição biológica explique a nossa vingança. Nossos genes são quase iguais aos genes dos ratos. Quanto aos macacos somos mais semelhantes, além dos genes, da herança do esqueleto, da fisiologia, da fisionomia e das digitais. Somos descendentes próximos dos macacos e parentes distantes dos anjos. E ainda temos a ousadia de afirmar que somos filhos de Deus.

Durante setenta milhões de anos vivemos nas florestas. Quanto à vida humana nas cidades ainda não completou meio milhão de anos. E por que tanto desamor aos recursos naturais? Por que tanta indiferença às formas de vida indefesa das florestas e das águas?

Dentre os animais nós somos os únicos capazes de envenenar a própria água que bebemos, de matar um ser vivo sem ter a necessidade de comê-lo para saciar a fome, de escravizar o semelhante, de torturá-lo. Contraditoriamente, somos os únicos que têm alma e, se não bastasse, somos os únicos seres vivos que riem.

A verdade é que toda a nossa ferocidade ancestral e os nossos instintos mais primitivos foram organizados em leis, em códigos canônicos e em sociais convenções. O presídio de hoje é a árvore oposta que abrigava a família de símios que queria roubar os meus frutos. A civilização é uma pele humana que cobre a nossa animalidade ancestral.

Talvez, por isso, não consigamos olhar com fraternidade para as formas de vida que não riem, não torturam, não matam a si mesmas, não rezam, não escravizam. Felizmente, nossos somos a única espécie que perdoa.

Por isso a nossa aposta na espécie humana, na sua capacidade de transformar lixo em arte, de recuperar os rios, de reciclar sua urina, de fazer de um grito uma música, de transformar o desejo mais simples em utopia e de, finalmente, perceber a dimensão da dor nas formas de vida que não fazem parte da civilização.

Somente uma nova ordem humana e ecológica e uma nova filosofia de produção e de consumo serão capazes de deter a barbárie da civilização. Que os antigos espíritos dos animais da terra e das águas nos orientem no rumo ontológico de nossas origens e de nossas utopias coletivas, embebidas no orvalho amazônico da fraternidade e na cura das enfermidades da alma humana, reconstruindo o pacto sócio-ecológico entre o homem e a floresta.

23 de maio de 2009

XIXI NO BANHO

Do portal Auxina- Planeta Sustentável:

Muito bem sacada e bem-humorada a campanha da SOS Mata Atlântica em defesa do xixi no banho. O link -- www.xixinobanho.org.br – já é um sucesso na Internet. A campanha estimula as pessoas a urinarem enquanto tomam banho. Segundo a ONG, um xixi por dia aliviado no chuveiro representa uma economia de 4.380 litros de água por ano.

A organização revela que um morador do Sudeste brasileiro consome, em média, 360 litros de água por dia, sendo que 80% dessa água passa pelo banheiro -- a descarga sanitária é a grande campeã de gasto.

A água é um dos elementos fundamentais para a existência da biodiversidade da mata. As atividades humanas desenvolvidas dentro da floresta também dependem da água: desde a agricultura, pesca, indústria até o próprio turismo.

6 de maio de 2009

A Fonte da Sonda

Uma empresa, contratada pelo executor da "cagada" começou a efetuar os trabalhos de sondagem no poço da Fonte da Sonda.
Por enquanto descobriram que uma peça de sondagem anterior está bloqueando a perfuração, aos 24 metros de profundidade.
Mandaram construir um "pescador" pra efetuar a desobstrução.

Minha opinião é que ainda não vai ser só isso que vai consertar o estrago.

27 de abril de 2009

As Águas

A cota de água na régua fluviométrica do Terminal Hidroviário de Itaituba estava medindo 9,20 metros neste domingo à noite.

Será que ainda sobe mais?
As previsões são de que ainda haverá mais água neste mês de abril.

22 de abril de 2009

As Águas de Abril...

Para quem tem interesse em águas fica o aviso de quem vive no alto Tapajós: lá tá chovendo mais ainda.
Então, por aqui as águas ainda vão subir mais um pouco.

12 de abril de 2009

As Águas...

Do Estado do Tapajós:

O nível das águas no canal do rio Tapajós que liga a vila à ilha do amor registrou sua maior alta na última década em Alter do Chão.
A foto é de Olavo Neves, que registra a cena na sexta-feira santa.

4 de abril de 2009

Papo Furado

A governadora Ana Júlia Carepa assinou nesta sexta-feira (3), no Palácio dos Despachos, ordens de serviço para retomada de obras de saneamento que estavam paralisadas há nove anos.
Por meio do programa Água para Todos, 10 municípios paraenses serão beneficiados com obras de sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.Os municípios beneficiados, inicialmente, são Abaetetuba, Bagre, Bragança, Breves,Capanema, Capitão Poço, Itupiranga, Tailândia, São João do Araguaia e Viseu.
E o "papo furado" pra cá continua...

2 de abril de 2009

As Águas de Abril...

Ontem, a régua fluviométrica do Terminal Hidroviário de Itaituba mediam 8,88m.
Segundo o experiente "Caçapa" as águas começarão a regredir neste próximo fim de semana (após a semana santa).
Neste ano, elas não vão lavar o piso do Terminal.

A Água...

Da Agência FAPESP:
No encerramento do mês em que se comemorou o Dia Mundial da Água (22/3), a Agência Nacional de Águas (ANA) apresentou a primeira edição do Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil.

A quantidade e a qualidade das águas brasileiras e a situação da gestão desses recursos até 2007 estão detalhadas na publicação, que deverá ser atualizada anualmente.

São apresentados dados e informações sobre precipitação, disponibilidade de águas superficiais e subterrâneas, eventos críticos, saneamento ambiental, irrigação, hidroenergia, navegação, evolução de aspectos legais e institucionais e recursos e aplicação financeira do setor.

O relatório está disponível em: http://conjuntura.ana.gov.br.

26 de março de 2009

Águas de Março...

Mesmo com toda a água que caiu nestes dias, a tábua fluviométrica da Estação Hidroviária (nome pomposo) quase não se mexeu: registra agora 8,72 m.

24 de março de 2009

Piada dos Governos Municipal e Estadual

Uma pesquisa na legislação disponível na página da Câmara Municipal nos leva a pensar que estamos em outro mundo.

A prefeitura local firmou convênio com a COSANPA para que esta prestasse serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário na cidade.
Não é motivo pra morrer de rir?

Se não acha, então leia aqui quanto temos de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Itaituba.

23 de março de 2009

Confirmação

A respeito do post Vereadores reúnem com CPRM, do Blog do Parente fui informado (mandei email pedindo informações) pelo diretor da CPRM-Belém que "dois Vereadores me Procuraram aqui:O Senhor Hilton Aguiar e o Senhor Peninha. Não poderemos dar nenhuma opinião sobre o Poço, pois não temos nem o seu perfil. Estamos buscando externamente essas informações".

Esta é uma verdade.
Se a CPRM que esteve trabalhando no município por longos anos não tem informações sobre o perfil do poço, a irresponsabilidade do mandante e do executor é proporcional ao amor a Itaituba: zero!

Outra verdade: a ASFITA está se movimentando pra inquirir sobre a fonte da Sonda.

22 de março de 2009

Verdade do Dia

A água está se transformando em mercadoria também. Produto vital e insubstituível, até algum tempo era bem comum e patrimônio de todos. Está mudando, mais ou menos lentamente, mas está mudando. A cada dia que passa se privatiza cada vez mais, até o fornecimento da agua que chega às torneiras, com pioramento da qualidade e irônico aumento de preços.
Flávio Prada, em postagem no Faça a sua parte.

Dia Mundial da Água

Já tomou seu copo d'água hoje?

Já pensou em mandar limpar o poço que lhe abastece?
Então use a fórmula certa: beba cerveja que contém água na medida certa!

21 de março de 2009

Dia da Água

Amanhã se celebra o Dia Mundial da Água.
Mas, pensando bem, nós viveríamos um único dia sem água?
Até a "cerveja nossa de cada dia" tem a quantidade de água certa.
Então façamos de todos os dias um dia de luta pela água potável em nossas casas.

20 de março de 2009

As Águas de Março...

A tábua fluviométrica media hoje 8,62 m.
A diferença da última medição do poster (em 12/03/2009 a régua media 8,30m) é de apenas 0,32 m.
As águas estão calmas...