Geologia e Ambiental

11 de julho de 2005


Carina Cabral arrasando no Clube do Remo!
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SONHOS DE UM SANTARENO

SONHOS ...

"Vivemos sob a forma de governo que não se baseia nas instituições de nossos vizinhos; ao contrário, servimos de modelo a alguns ao invés de imitar os outros. Seu nome, como tudo o que depende não de poucos, mas da maioria, é democracia”.
Péricles, Oração fúnebre, in Tucidides:A Guerra do Peloponeso, Livro II, 37.

Não quero aqui trazer discórdias nem levantar suspeitas sobre comentários que se produzem sobre sonhos nem sobre realidade. Mas, como tudo o que se produz, causa discussão, quero refletir algumas opiniões sobre esta quimera tão em voga atualmente: sonhos.
Sonhar, segundo o dicionário mini Aurélio, significa no sentido figurativo “fantasia, ilusão, desejo, aspiração”. Nós todos temos sonhos: desejamos ganhar na mega-sena, construir um lar sólido, tirar férias na Disneylândia, ter um vizinho amistoso, ver o time do coração ser campeão todos os anos e outras fantasias comuns a todos.
Também sonhamos com a mão ousada de uma diretriz governamental firme, ter um líder nas ações públicas, ver nossa cidade prosperando significativamente, sentir que o líder político da municipalidade está tendendo a cumprimento de promessas de campanha, mas, infelizmente, quase nunca isto se torna realidade.
É sempre sonho!
Não sou professor de historia antiga nem moderna, mas lembro das lições deixadas no Colégio Dom Amando sobre alguns tópicos importantes da historia mundial e que me deixaram marcas tentar sempre aumentar o meu conhecimento sobre as grandes contribuições mundiais.
Há séculos foi sonhado na antiga Grécia que se poderia construir uma republica democrática onde todos se beneficiassem das coisas públicas. Como nenhum outro povo, os gregos interessaram-se pela administração da coisa pública, envolvendo-se nos intensos e acalorados debates políticos que afetavam a comunidade, manifestando extraordinária consciência sobre a importância e o significado da palavra eleutéria, entendida como liberdade e independência da cidade em relação a qualquer outro poder vindo de fora - num mundo cercado pelo despotismo e pela tirania. A sua contribuição não se confinou somente ao teórico, pois também legaram os grandes discursos de Demóstenes e de Ésquines que imortalizaram a oratória voltada para a ação.
Em Atenas, a cidade-estado símbolo da democracia, os gregos sublevaram-se, guerrearam sempre para demonstrar que queriam viver em liberdade para discutir sua vida. Conta-nos a historia que mesmo um tirano (como o foi em Atenas antiga o governador Pisístrato), um líder popular que havia tomado o poder por meio de um astucioso estratagema, tornando-se o homem-forte da pólis, apesar da ilegalidade da sua ascensão, teve a sabedoria de fazer uma administração que muito impulsionou a prosperidade e o bem-estar da capital da Ática, com obras e serviços em prol do povo. Seus filhos que o sucederam, tentaram usar a tirania par alcançar objetivos sórdidos, mas o povo, na sua eterna sabedoria, destituiu-os e entregou as rédeas da cidade-estado nas mãos de Clístenes, que elaborou uma nova constituição e fez com que se abrissem as portas para uma experiência inédita: o regime governado diretamente pelo povo, a democracia.
Mas, mesmo com a vontade popular demonstrada, muitos filósofos locais não ficaram contentes com o modo pela qual a democracia fora estabelecida e criticaram acidamente a constituição estabelecida. Erro maior, segundo os filósofos, era a tentativa de participação popular, o que segundo eles inviabilizava a execução de uma política governamental técnica. Eles (os filósofos) diziam que era a mesma coisa que fazer sorteio de quem seria o piloto do barco durante uma tempestade. O barco tinha sempre que ser comandado por um especialista – o capitão. O questionamento tornou-se, desde então, um tema clássico no debate político sobre quem deve reger o estado, a maioria ou somente os técnicos? Mas a base da democracia é a igualdade de todos os cidadãos. Igualdade perante a lei (isonomia), e igualdade de poder se pronunciar, quer dizer, direito à palavra. Essas duas liberdades são os pilares de um regime, estendidos a ricos e pobres. O sistema de sorteio evitava, em parte, a formação de uma classe de políticos profissionais que atuassem de uma maneira separada do povo, procurando fazer com que qualquer um se sentisse apto a manejar os assuntos públicos, se eliminado a alienação política dos indivíduos.
Procurava-se, com o exercício direto da participação, tornar público a coisa privada. Sob o ponto de vista grego, o cidadão que se negasse a participar dos assuntos públicos, em nome da sua privacidade, era moralmente condenado. Criticavam-no por sua apatia ou idiotia. Quem precisava de muros para se proteger era a comunidade, não as casas dos indivíduos.
Tempos depois, os atenienses foram subjugados por outros tiranos (espartanos, macedônios, romanos, turcos, etc.) que lhes tiraram a forma democrática de governar.
E por que comentar sobre gregos e troianos?
Porque a democracia dos gregos foi um sonho que começou e foi reduzido a pó pelas conseqüências de discussões sem sentidos, pela ganância do povo e de outros tiranos e pela conseqüente apatia do povo.
Porque o PT foi um sonho que se dissipou como a fumaça de um cigarro deixado a queimar no cinzeiro inerte, assim como o foi as ações de um certo governador que, por ser casado com uma filha de nosso município, pouco ou nada fez para que nosso desenvolvimento fosse perceptível como esperavam os santarenos, como o foi o PMDB pós “diretas já”, o PSDB do real irreal, a SUDAM dos empresários marajás, a ética tão propalada e não cumprida pela elite governamental também pecou pela falta ou excesso de objetividade (no caso, a cornucópica pecuniária).
Não podemos e não devemos deixar que a apatia das promessas não cumpridas, a desconfiança de que não haverá melhora substancial no progresso santareno (quando vai ter início a enxurrada de empregos prometidos?), a falta de ousadia para “tirar das pedras a água que falta” para abastecer o rio de vontades populares, a sempre impassível presença do nepotismo nas nomeações “palacianas” (absurdo técnico ou vontade das maiorias?), a ausência completa das atitudes legislativas de nossos edis (eles são hoje o que queremos que sejam sempre os nossos representantes populares ?), a impossibilidade de pagar os nossos educadores conforme eles merecem (no passado ser professor (a) era o ápice de uma carreira bem sucedida) e o respeito ao povo pelo povo sejam motivos para desacreditar que em tudo isto existe o elemento humano da surpresa.
Não quero crer que nossos dirigentes máximos (Prefeita e seu secretariado) sejam usurpadores de nossa vontade de ter um governo democrático.
Não quero acreditar que, como bem diz o pedagogo e comunicador Everaldo Cordeiro, a gente simplesmente fique no “Continuo acreditando e não quero permitir que os desmandos e as decepções que encontramos no caminho aberto por tantos exemplos bonitos na militância política nesse país sejam fechados pelas imensas pedras deixadas por alguns...” Pedras estas que incomodam e que devem ser retiradas da estrada para que encontremos o tesouro escondido embaixo dela.
Não quero deixar que, como diz a “blogueira” Anaile, simplesmente seja uma verdade eterna quando depositamos a nossa esperança de mudança e “Votar no PT para um povo tão massacrado e ludibriado como o nosso era usar a última cartada... acabaram-se nossas cartas... E agora? Pena que vem aí novas eleições e eles vão repetir tudo o que os outros fazem... "fazer alguma coisa" próximo às eleições pro povo não esquecer.... e o pior é que ele não esquece...” porque estes dirigentes tem algo intangível em que continuo a acreditar: A ALMA DE SANTARÉM!

5 de julho de 2005

ORDENAÇÕES FILIPINAS

Esta legislação data do século XVII e continua tão atual que merece ser repetida:

"E pessoa alguma não lance nos rios e lagoas, em qualquer tempo do anno [...], trovisco, barbasco, cocca, cal, nem outro algum material, com que se o peixe mate [...] O que assi havemos por bem, para que se não mate a criação do peixe, nem se corrompão as aguas dos rios e lagôas, em que o gado bebe"

Ordenações Filipinas, Livro Quinto, Título LXXXVIII, § 7 - 1603

PALAVRAS NÃO PODEM MORRER!

Esta carta foi retirada do site DireitoAmbiental (www.lei.adv.br) para nos lembrarmos que há quase tres séculos atrás, existia uma forte conotação do que significava água, ar, meio biótico, meio antrópico enfim, vida. Por isso retransmito com orgulho uma ...

Carta do Chefe Seattle ao Presidente dos Estados Unidos da América em 1.854

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.
Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.
O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.
Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.
E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.
Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.
Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.
Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.
Onde está o arvoredo?
Desapareceu.
Onde está a águia?
Desapareceu
É o final da vida e o início da sobrevivência.