20 de julho de 2015

Di Menor...


Por JOSE ALTINO MACHADO
          zealtino@uol.com.br

Ser “di menor”, como erroneamente dizem, diferente do que acreditam no Brasil, não é vantagem alguma, pelo contrário, sem muitas opções de vida, uma boa porção deles sofre o diabo nos resultados da inconsequência socioeducativa do país. E nestes tempos, eles têm até marcado presença no noticiário nacional, pela discussão no Congresso em se reduzir a idade de responsabilidade penal dos 18 para 16 anos.
Tenho para mim, entretanto, que este raciocínio acompanhado de intenção explicita, é mais uma dura resposta da sociedade cansada e já intolerante com o mau comportamento juvenil, e principalmente com a locação espúria que têm feito aos adultos criminosos, dos seus benefícios legais de menoridade.
Neste caso vou além e, na origem, penso que a própria lei de proteção extraordinária ao menor, sequer deveria existir; o grande erro é sua existência. Mais correto seria criarem-se juntas especiais para julgamento e punição de menores, assistidas por psicólogos e médicos psiquiatras, não deixando nunca de se considerar as tendências ao delito, recuperação possível, gravidade do crime e suas reincidências.
O Código Penal é específico para tratar e proteger a coletividade,  penitenciando  o mau e danoso comportamento do ser humano como um todo; devendo-se reconhecer, portanto, que o próprio homem não foi concebido com divisões etárias para serem bons ou maus. Muita coisa difícil pode estar vinda na genética (DNA), mas devemos levar em conta, que todos também têm esquecido seus muito responsáveis na criação e formação dos jovens.
Antes de tudo há que se criticar o moderno conceito nos dias de hoje do que é família. A dependência econômica estabelecida, o costume de se atribuir ao Estado e sua administração todas as vicissitudes de suas crias está muito arraigado, permitindo transferir culpabilidades tão somente familiares aos governos, olvidando que crença e criação vêm do berço, e de mesa onde pode faltar até comida. O bem ou o mal principiar da vida daquele que foi concebido sem anuência própria está exatamente aí, nesta partida em casa para uma posterior educação sólida. Além do mais, o nosso costume e sangue latino, maioria das vezes vai ao amor carnal sem maiores cuidados com seus frutos.
Nem tanto também devemos chegar à máxima de que quem pariu Mateus que o embale, mas o maior percentual de culpa é diretamente de uma família pouco estruturada e mal planejada, devendo todos lembrar que o Estado somos nós todos e atribuindo problemas tão somente ao Estado nós nos tornamos o problema.
O pior é que de fato o somos. Colocamos aqui uma democracia cujo poder e mando se origina no voto, e temos mantido a insensatez de nunca votar na qualidade e sim na simpatia, no poder econômico e numa mentirosa imagem a todos construída tão somente para o período eleitoral. Isto faz que jamais se interessem o necessário pela formação e educação instrutiva de nossos jovens. Não querem nem saber se em idade precoce vai abandonar estudos ou se aqueles estudos têm excelência. E a falta de interesse em tal política pública do setor de formação da juventude brasileira ou de qualquer país, são seus resultados que demandam tempo e gerações, e eles (políticos) querem aqui e agora, o famigerado voto. Esta explicado porque o voto aos 16 anos tem valor e tiro nos outros não.
Jamais pensam em investir com total segurança na educação, nos educandários, no aprimoramento de nossos professores que continuam ignorados recebendo um salário de “merda”. Ser professor em nosso país é pagar caro por uma das mais brilhantes vocações que Deus deu ao homem, a capacidade de ensinar, orientar, ajudar a formar caráter e personalidades ao futuro.
E a grande tragédia nacional é que todo o discurso em nossa política fala em trabalhar para o povo. E o povo acredita, mesmo com o brutal enriquecimento deles por tal “trabalho”. E agrava tudo, ficarmos também impedidos de reclamar, porque lá só tem quem foi eleito e escolhido, não havendo ninguém imposto.
Bem por isso, acontece de assistirmos hoje, polícia frequentar a casa de Senadores da República e numa delas proceder à apreensão de joias do setor automobilístico internacional, que custaram o olho da cara com recursos do contribuinte. O próprio Estado que este Senador ostenta representar, possui seus índices educacionais bem abaixo daqueles da criminalidade geral...
Será válido preocuparmos apenas com a delinquência dos menores, mesmo sendo ela só consequência?...

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