13 de abril de 2013

A história do petróleo


Paulo Metri (Foto: divulgação) 
Paulo Metri, diretor do Clube de Engenharia do
Rio de Janeiro (Foto: divulgação)

Os que acham que o petróleo é um recurso não renovável utilizado somente nos tempos modernos, enganam-se. Há cerca de seis mil anos, esse óleo viscoso de cor escura já era conhecido, sendo utilizado como asfalto, para fixação de pisos e tijolos, ou betume (petróleo no seu estado mais sólido) para calafetagem. Há também registros do seu uso nos Jardins da Babilônia e como arma de guerra pelos gregos bizantinos.
Entretanto, foi somente na década de 1850 que Benjamin Silliman, professor de Química da Universidade de Yale, e o advogado George Bissell, ambos norte-americanos, passaram a ver o petróleo, denominado antigamente de rock oil, como um produto de grande valor. “Eles conseguiram desenvolver um processo de craqueamento do petróleo, que resulta na obtenção de diversos derivados, como gasolina, diesel, querosene, nafta, asfalto, entre outros”, explica Paulo Metri, diretor do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro.

 Em 1859, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, foi perfurado o primeiro poço de petróleo do mundo por Edwin Drake, também chamado de Coronel Drake, que passou a ser o primeiro produtor de petróleo ao conseguir criar uma técnica para retirá-lo do subsolo. “A participação do Drake foi exatamente a de descobrir uma maneira de produzir petróleo, utilizando para isso bombas de extração de água subterrânea. Ou seja, Drake foi considerado o primeiro produtor de petróleo de que se tem registro na história”, lembra o diretor.
No Brasil, o primeiro poço perfurado ficava no Recôncavo Baiano, no fim da década de 40. Em 1946, início da gestão do então presidente Eurico Gaspar Dutra, foi lançada a campanha "O Petróleo é Nosso". “Na época, existia um projeto no Congresso cuja proposta era a de entregar o subsolo brasileiro a empresas estrangeiras para que pudessem pesquisar a existência de petróleo. Caso fosse encontrado, a extração seria permitida com o pagamento de royalty. Essas empresas poderiam exportar e, eventualmente, vender os derivados do petróleo no país. Por outro lado, havia um grupo extremamente nacionalista, formado por militares e militantes do Partido Comunista Brasileiro, que defendia o petróleo como fator de desenvolvimento, e não somente como um item a ser comercializado mediante um tributo”, ressalta.
"O interessante desse movimento é que não tínhamos uma gota de petróleo”, lembra Paulo Metri. Os adeptos da campanha defendiam o princípio de que o petróleo estava se tornando cada vez mais um item importante para o desenvolvimento econômico, no mundo. “Houve uma batalha ideológica muito grande e o Estado deveria ter uma empresa que explorasse o petróleo em nome da sociedade brasileira. Não houve no Brasil uma mobilização igual. O movimento 'O Petróleo é Nosso' empolgou muito o país, com grandes passeatas e comícios. O monopólio estatal do petróleo e a Petrobras, criada em 1953 com a Lei do Petróleo, nasceram desse movimento social”, ensina Paulo Metri.
Fonte: Globo

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