16 de outubro de 2012

Lixo não existe?


A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) vai transformar a maneira como a sociedade brasileira se relaciona com seus resíduos. Até 2020 o Brasil deverá ter toda a estrutura necessária para dar uma destinação adequada a qualquer resíduo sólido e até 2014 todos os municípios deverão eliminar completamente seus lixões e implantar aterros sanitários.
 
Neste contexto, as oportunidades vão desde a produção de adubo e energia até a reciclagem e capacitação técnica; é o que aponta o levantamento “Gestão de Resíduos Sólidos: uma oportunidade para o desenvolvimento municipal para a as micro e pequenas empresas”. Desenvolvido pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Mato Grosso do Sul (SEBRAE-MS) com o apoio do Fundo Multilateral de Investimentos (FUMIN), integrante do Grupo BID, o estudo alerta que o primeiro passo para que este mercado cresça é fazer com que exista consciência ambiental.
 
Campanhas, seminários, ações nos ambientes escolar e empresarial são fundamentais para inserir o tema no cotidiano da comunidade e constituem também oportunidades de consultoria para a criação e apresentação de treinamentos sobre resíduos sólidos com materiais didáticos para escolas, empresas, comunidades, órgãos públicos, entre outras.
 
O Brasil gera diariamente 183 mil toneladas de resíduos, mas apenas 405 municípios possuem estrutura para a coleta seletiva. Para reverter esta situação, a PNRS estabelece a responsabilidade compartilhada entre poder público, empresas e consumidores, o que segundo o Especialista do FUMIN Ismael Gílio, apresenta extraordinário potencial para as Alianças Público-Privadas. “Diferentemente de outras políticas públicas, a sustentabilidade envolve todo o ciclo produtivo, passando pela produção, comercialização, consumo e os resíduos, e, portanto, requer ativa participação entres os três setores: o público, o privado e o terceiro setor, sobretudo no nível municipal.”
 
A aplicação de tecnologias para gerar energia a partir de dejetos de animais deve estar contemplada nos Planos Estaduais de Gestão de Resíduos Sólidos e demonstram grande potencial. Anualmente é gerado quase dois bilhões de metros cúbicos de material orgânico bovino, suíno e de aves, que pode ser transformado em biogás, vapor, combustível veicular, para caldeiras ou fogões, ou para abastecimento de gasodutos. Projetos em pequena e média escala estão gerando bons resultados na região sul.
 
As oportunidades de consultoria também são amplas, seja para os poderes públicos e setor privado para desenvolver estudos de viabilidade de implantação e execução de sistemas de logística reversa e coleta seletiva; seja para o planejamento, licenciamento e instalação de sistemas de aproveitamento dos gases gerados na disposição final dos resíduos sólidos.
 
Na indústria e comércio, a produção e comercialização de recipientes para separação dos resíduos sólidos nas residências e empresas, ferramentas e acessórios para compostagem, e outros equipamentos destinados ao aproveitamento energético de gases podem movimentar um mercado com potencial nacional e internacional.
Fonte: Aguaonline

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