Geologia e Ambiental

31 de agosto de 2010

Ao Mar!



Entre o Brasil e a África existe mais do que um oceano. Há potássio, ouro e diamante, entre outros minerais valiosos que exigem empenho tecnológico e conhecimento técnico para saber aproveitá-los.

As riquezas submarinas da costa brasileira recebem, agora, os holofotes do cenário internacional após a descoberta do pré-sal, onde a Petrobras se prepara para extrair petróleo a uma profundidade de até 7 mil metros.
"A consciência de que temos muitos recursos minerais no mar ganhou bastante visibilidade com o pré-sal. Está mais do que na hora de o Brasil dar ênfase a essa questão estratégica que é conhecer melhor a plataforma continental e a área internacional marítima", observa Thales de Queiroz Sampaio, da Secretaria de Geologia e Mineração do Ministério de Minas e Energia (MME).
Sampaio coordena o Programa de Avaliação da Potencialidade Mineral da Plataforma Continental (Remplac), que reserva R$ 150 milhões para aproximar Estado e universidades em torno do tema mineração submarina.
"Vamos investir muito mais dinheiro nos próximos 20 anos do que podemos imaginar hoje", indica.
O aporte será para identificar a viabilidade econômica e traçar as linhas dos desafios técnicos de exploração, por exemplo, areia e cascalho para a indústria de construção civil — recursos encontrados em larga escala a uma profundidade média de 30 metros entre o Espírito Santo e o Maranhão.
Já outros minerais mais valiosos como o diamante existente na costa baiana demandarão expertise tecnológica mais apurada, visto que estão a um quilômetro sob o nível do mar — área dominada pela Petrobras que pode ceder tecnologia.
O mesmo vale para o zircônio encontrado no litoral sul da Bahia - insumo caro e bastante empregado no revestimento de reatores nucleares.
A ilmenita usada na construção de partes de aviões e naves espaciais também recebe atenção. Assim como, o calcário usado pelo setor químico e farmacêutico.
Além do potássio que fabricantes de fertilizantes precisam importar para atender a demanda crescente de um país voltado para o agronegócio. 
Os recursos estão em uma região com 4,5 milhões km², distribuída ao longo de 370 km da costa mar adentro — a chamada Zona Econômica Exclusiva (ZEE), ou Amazônia Azul.
Parte do potencial submarino já foi mapeado pela Marinha, que equipou um navio para a missão com repasse de R$ 10 milhões cedidos pela Finep.
A embarcação recebeu um multifeixe, aparelho que faz o mapeamento do solo marinho (batimetria), identificando o que há no fundo do mar.
"Existem recursos em solo marinhos além das 200 milhas náuticas (370 quilômetros da costa e estamos desenvolvendo atividades para essa área", adianta Carlos Roberto Leire, da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm) - órgão encabeçado pelo MME e Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) que conta com a participação de 18 universidades federais e estatais.
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