22 de março de 2010

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

Hoje, 22 de março, se comemora o Dia Mundial da Água. 

Deveria ser a comemoração para que todos tenham este bem único em abundancia necessária para suprir suas necessidades pessoais, familiares e públicas. Em abundância para que haja líquido para beber; para cozinhar; para banho; para lavagem de roupas e utensílios; para limpeza da casa; descarga dos aparelhos sanitários; rega de jardins e lavagem de veículos. Principalmente para que não o desperdicemos.

Nesta nossa região amazônica, onde existe uma capacidade de suprimento de água subterrânea e superficial sem igual tornamos nossos rios as latas de lixos diárias; tranformamos nosso suprimento subterrâneo em local contaminado e não nos preocupamos adequadamente para o futuro tão perto e tão sombrio.

A quantidade de água potável em toda a face da Terra é diminuta: 98% da água existente é salgada! E nem nos damos conta disso. Afinal, aqui na Amazônia detemos 74% dos recursos hídricos superficiais e é habitada por menos de 5% da população brasileira. 
Mas, não podemos nos esquecer que sempre estamos sujeitos a enchentes colossais e secas crônicas, associada aos fenômenos de El Niño, La Niña, ou à variabilidade na temperatura da superfície do mar do Atlântico Tropical e Sul que podem gerar anomalias climáticas, como já ocorreu em épocas passadas.

Não custa nem um pouco nos voltarmos para que sejam atendidas as propostas desta data em 2010: Tentar aumentar a consciência pública da importância da conservação dos recursos de água potável, é o objetivo do Dia Mundial da Água, que se assinala a 22 de Março. Este ano é dedicado ao tema «Água Limpa para Um Mundo Saudável».

Em homenagem ao Dia Mundial da Água publico esta crônica retirada da revista biográfica "Crônica de los Tiempos" - Abril de 2002 :
CARTA ESCRITA EM 2070

Estamos em 2070, acabo de completar os 50, mas minha aparência é de alguém de 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha cinco anos. Tudo era muito diferente.
Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro cerca de uma hora.
Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele.
Antes todas as mulheres mostravam sua formosa cabeleira.
Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água.
Antes meu pai lavava o carro com água que saia de uma mangueira.
Hoje os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma.
Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA ÁGUA, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a água jamais podia terminar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados.
Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber oito copos de água por dia por pessoa adulta.
Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar poços sépticos (fossas) como no século passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água.
A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não tem a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera.
Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.
As infecções gastrintestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são principais causas de mortes.
A indústria ta paralisada e o desemprego é dramático.
As fábricas dessanilizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te com água potável ao invés de salário.
Os assaltos por um pouco de água são comuns nas ruas desertas.
A comida é 80% sintética. Pela ressiquidade da pele de uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40.
Os cientistas investigam, mas não há solução possível.
Não se pode fabricar água, o oxigênio também ta degradado por falta de árvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como conseqüência há muitos meninos com insuficiência, mutações e deformações.
O governo até nos cobra pelo ar que respiramos, 137m³ por dia por habitante adulto.
A gente que não pode pagar é retirada das ?zonas ventiladas?, que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar, não são de boa qualidade, mas pode-se respirar, a idade média é 35 anos
Em alguns países ficaram manchas de vegetação com seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército, a água tornou-se um tesouro muito cobiçado mais do que ouro e diamantes.
Aqui em troca, não há arvores porque quase nunca chove, e quando chega a registrar-se precipitação, é chuva ácida; as estações do ano tem sido severamente transformadas pelas provas atômicas e da indústria contaminante do século XX.
Advertia-se que havia que cuidar do meio ambiente e ninguém fez caso.
Quando minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse, o saudável que era a gente.
Ela pergunta-me: Papai! Porque se acabou a água?
Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de me sentir culpado, porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente ou simplesmente não tomamos em conta tantos avisos.
Agora nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que ha vida na terra já não será possível dentro de muito pouco porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar o nosso planeta Terra!

Documento extraído da revista biográfica "Crônica de los Tiempos". Abril de 2002
 
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