13 de novembro de 2005

A ERA DO ADMINISTRADOR

Recebemos este texto do colega Paulo Kley, administrador (obviamente) e especializando em Gestão Ambiental:

Por que os Estados Unidos são o país mais bem-sucedido do mundo? Por que são um país que resolveu o problema da miséria e da estagnação econômica ao contrário do Brasil?

O segredo americano, e que você jamais encontrará em nenhum livro de economia, é que os Estados Unidos são um país bem administrado, um país administrado por profissionais.
Dezenove por cento (19%) dos graduados de universidades americanas são formados em administração. Administração é a profissão mais freqüente e, portanto a que da o tom ao resto da nação.
Infelizmente, o Brasil nunca foi bem administrado. Sempre fomos administrados por profissionais de outras áreas, desde nossas empresas até o governo. Ate recentemente, tínhamos somente quatro cursos de pós-graduação em administração, um absurdo!
De 1832 a 1964 a profissão mais freqüente no Brasil era a de advogado, e foi essa a profissão que exerceu a maior influencia no país, tanto que nos deu a maioria de nossos presidentes até 1964. A revolução de 1964 acabou com a era do advogado e a legalidade, e tivemos a era do economista, que perdura até hoje.
Nos próximos 10 anos isso lentamente mudará. O Brasil já tem 2.300 cursos de administração contra 350 em 1994. Estamos logo depois dos EUA e da Índia.
Administração já é hoje a profissão mais freqüente deste país, com 18% dos formandos. Antes nossos gênios escolhiam medicina, direito e engenharia. Agora escolhem medicina, administração e direito, nessa ordem.
Há dez anos tínhamos apenas 200.000 administradores e só 5% das empresas contavam com um profissional para tocá-las. O resto era dirigido por empresários que aprendiam administração no tapa. Por isso até hoje 50% das empresas quebram nos primeiros 2 anos e metade de nosso capital inicial vira pó.
O que o aumento da participação dos administradores na gestão das empresas significará para o Brasil? Uma nova era muito promissora. Finalmente seremos administrados por profissionais e não por amadores. Daqui para frente, 75% das empresas não quebrarão nos primeiros quatro anos de vida e nossos investimentos gerarão empregos, e não falências.
Em 2010, teremos 2 milhões de administradores formados, e se cada um empregar 20 pessoas haverá 40 milhões de empregos novos. Será o fim da exclusão social.
Administradores nunca forma ouvidos por políticos nem concorriam a cargos públicos. Em 2010, é muito provável que teremos nosso primeiro presidente da República formado em administração. Por incrível que pareça Nunca Tivemos Um Executivo No Executivo. Muitos de nossos ministros e governantes aprendiam administração no próprio cargo, errando a um custo social imenso para a nação. Foi-se o tempo em que o mundo era simples e não havia necessidade de ter um curso de administração para ser um bom administrador.
Em 2006, o candidato da oposição que demonstrar boa capacidade gerencial será um forte candidato a sucessão de Lula. João Paulo Cunha, do PT, já alertou de que, se houver um bom administrador, ele conquistará o eleitorado da periferia.
Não quero exagerar a importância dos administradores, mas somente lembrar que eles são o elo que faltava. ordem não gera progresso, estabilidade econômica não gera crescimento de forma espontânea, sempre há a necessidade de um catalisador.
Não será uma transição fácil, pois as classes dominantes não aceitam dividir o poder que têm. Há muita gente interessada em manter esta bagunça e desorganização, como vivem denunciando Luiz Nassif, Arnaldo Jabor e José Simão. Gente que é contra supervisão, eficiência e organização.
Administradores têm pouco espaço na imprensa para defender suas idéias e soluções. Em pleno século XXI, sou um dos raros administradores com uma coluna na grande imprensa brasileira, e mesmo assim mensal. Peter Drucker há quarenta anos tem uma coluna semanal em dezenas de jornais americanos, ele e mais trinta gurus da administração.
ADMINISTRADORES TÊM OUTRA FORMA DE ENCARAR O MUNDO. ELES LUTAM PARA CRIAR RIQUEZA QUE AINDA NÃO TEMOS. ECONOMISTAS E INTELECTUAIS LUTAM PARA DISCUTIR A POUCA RIQUEZA QUE CONSEGUIMOS CRIAR, O QUE TÊM GERADO MAIS IMPOSTOS E POBREZA.
Se esses 2 milhões de jovens administradores que vem por aí ocuparem o espaço político que merecem, seremos finalmente um país bem administrado, com 500 anos de atraso. Desejo a todos coragem e boa sorte.


KANITZ, Stephen. A era do administrador. Veja, Rio de Janeiro, ano 38, n. 1, p. 21, jan. 2005.

COMENTÁRIO DO ADMINISTRADOR PAULO KLEY:
Kanitz é administrador por Harvard (e brasileiro), e comenta sobre a administração de nosso país, obviamente que devemos fazer considerações, mas que deixo para cada leitor conduzir sua própria reflexão. Talvez pudéssemos aproveitar o espaço para um debate construtivo.
Bem eu, apenas chego a momentânea conclusão de que não há uma realidade/verdade estática mas uma realidade momentânea alterada por suas inter-relações entre seus elementos e atores. Enfim vamos refletir e nos propor desafios sair do meio comum penso que a sociedade espera isso de nós.
Boa leitura e reflexão!

Um comentário:

Juvencio de Arruda disse...

Jubalambiental,seu colega especializando Paulo kley foi educadíssimo ao sugerir o texto de Sthephan Charles Kanitz à reflexão,sem muita disposição para acolhe-lo 'in totum'.
Salvou sua pele com essa prudencia.
O texto lacrimejante exposto á discussão aqui no blog é uma cabal manifestação do ocaso da carreira do Kanitz e ,de resto,das técnicas da administração,ainda classificada como ciencia pela tolerancia que marca a academia.
Isto não vai durar muito!
Kanitz por pouco não pediu um lugar para a Administração nos reinos dos céus.Mas quase pegou as chaves das mãos de São Pedro.
Ainda bem que Kley está tendo contato com outra realidade e outra bibliografia aí na pós.
E se ele for tão bem humorado quanto é educado, até desconfio que convidou ao debate para testar a aderência das teses do dinossauro Kanitz.
Paulo,essa tese não cola.
Corra dela!
Jubal,abraços a todas as pequeninas,espertas e lindas.