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22 de janeiro de 2017

Uma Ferramenta: Portal Siageo Amazônia

Ferramenta de gestão territorial da região Amazônica brasileira, o Sistema Interativo de Análise Geoespacial da Amazônia Legal (Siageo Amazônia) foi atualizado e ampliado com dados completos dos nove estados brasileiros que o abrangem: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e o oeste do Maranhão. Em sua versão inicial, somente o Acre estava com informações completas. A capacitação de 150 técnicos do governo em sete estados permitiu expandir a base de informações para toda a região.
O Portal Siageo Amazônia [ http://www.amazonia.cnptia.embrapa.br/] é uma plataforma integrada de dados geoespaciais que pode ser acessada por qualquer pessoa interessada e é particularmente útil para pessoas e instituições que atuam em áreas relacionadas a planejamento territorial: agentes públicos, empreendedores rurais, agrônomos e diferentes esferas do governo. Lançado em setembro de 2015, o sistema disponibiliza na web diversas informações resultantes do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) da Amazônia Legal, como mapas de gestão, solos, geologia, cobertura vegetal e uso da terra, áreas protegidas, etc.
Agora com uma base mais completa de dados atualizados da região, qualquer pessoa pode usar o módulo bancário e carregar os dados de sua propriedade ou empreendimento que o sistema emite um relatório de análise espacial contendo subzonas de gestão, unidades de conservação, terras indígenas e solo (pedologia), indicando as áreas no mapa e as respectivas legendas. Esse recurso auxilia na tomada mais rápida de decisão pelos fazendeiros e empreendedores e também facilita análises para concessão de crédito rural pelos agentes do sistema financeiro.
O sistema beneficia especialmente os gestores, produtores e consultores ambientais. Um empreendedor pode, por exemplo, identificar rapidamente em que tipo de solo se encontra a sua propriedade ou a que distância se localiza determinada terra indígena ou unidade de conservação. Da mesma forma, o agente financeiro pode elaborar um relatório espacial referente às condições ambientais de uma fazenda para melhor análise sobre a concessão de crédito rural.
Para o pesquisador João Vila, da Embrapa Informática Agropecuária (SP), o Siageo é uma ferramenta de planejamento e de conhecimento. “Para qualquer lugar da Amazônia Legal, com um simples clique posso saber qual é o tipo de solo e de vegetação desse ambiente e qual é o planejamento que o governo, em conjunto com a sociedade, indicou para a região. O Siageo traz esse conjunto de informações, de forma fácil e rápida, o que ajuda a fazer uma análise integrada e a decidir como produzir com segurança e menor impacto ambiental”, explica.
A ferramenta, um dos produtos do projeto “Uniformização dos ZEE da Amazônia Legal (UZEE-AML)”, valoriza as particularidades dos estados e dos municípios ao mesmo tempo que possibilita uma visão macrorregional. O sistema permite disseminar o conhecimento técnico sobre a Amazônia Legal e subsidiar a formulação e a implantação de planos, programas e políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da região.
Na visão do gerente de ZEE do Ministério do Meio Ambiente, Bruno Siqueira Abe Saber Miguel, um dos pontos fracos do Zoneamento Ecológico-Econômico era a ausência de disponibilização das informações geradas à sociedade. “A principal contribuição do Siageo foi tornar essas informações acessíveis aos diferentes usuários, sem nenhuma restrição de uso tanto para o governo quanto para a sociedade civil, e que eles possam se valer dessas informações para tomar melhores decisões sobre uso dos recursos naturais”, afirma o gerente.
A base de informações inclui dados sobre zoneamentos ecológicos-econômicos, solos, clima, vegetação, aptidões agronômicas e aspectos socioeconômicos, legais e institucionais que são úteis aos gestores públicos, instituições de fomento e secretarias de estado e municipais, constituindo-se no mais completo e acessível portal de dados geoespaciais da Amazônia Legal. Com isso, é possível conhecer melhor o território amazônico, avaliar potencialidades produtivas e estimular a preservação ambiental.
Leia mais aqui.

3 de junho de 2009

Mandioca Biofortificada

Os brasileiros poderão contar, na sua dieta alimentar, com mais um produto, cujo valor nutricional foi enriquecido por pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos. Trata-se da mandioca Jari, que está sendo lançada nesta semana durante a 3ª Reunião Anual da Biofortificação no Brasil, que ocorre até sexta-feira (5) em Aracaju.

A pesquisadora Marília Nutti, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, coordenadora do projeto de biofortificação no país (Biofort), informou que foram cruzadas variedades de mandioca, também conhecida como aipim e macaxeira, até obter mais pró-vitamina A, que é o betacaroteno. Esse antioxidante ativo é um precursor da vitamina A e está presente em diversas frutas e legumes, como a cenoura.

A falta de vitamina A no organismo causa problemas de visão e anemia, que afetam mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Então, se a gente tiver, em vez da mandioca branca, a mandioca amarelinha, ela vai estar nos ajudando, suprindo a deficiência de vitamina A”.

O trabalho de melhoramento que resultou na mandioca Jari foi voltado, principalmente, às crianças e às classes menos favorecidas, que não têm acesso a frutas e verduras, ricas em carotenóides e betacaroteno. Durante o encontro em Aracaju, será lançada também uma cartilha sobre cultivo e consumo de batata doce.

“O nosso projeto trabalha na tentativa de ter os alimentos básicos com maiores teores de pró-vitamina A, ferro e zinco. A gente conseguiu chegar a uma batata doce bem laranja, quase cor de abóbora, com altos teores de pró-vitamina A”.

A cartilha será distribuída ao público infantil. Por meio das crianças, o objetivo é chegar aos pais, principalmente o pequeno produtor, ensinando como plantar essa batata doce. “E a criança vai poder explicar porque ela é importante, em uma linguagem bem acessível”.

Os pesquisadores do projeto Biofort se dedicam também a estudos para enriquecimento do feijão, arroz trigo, milho, abóbora e feijão-caupi (xique-xique). No caso do feijão, eles já obtiveram maiores quantidades de ferro e zinco. “A meta é melhorar a saúde e não somente a desnutrição. A nossa meta é, principalmente, o que a gente chama de “fome oculta”, que é a deficiência de micronutrientes. E melhorando essa deficiência, haverá um impacto na desnutrição também”, disse Nutti.

O Biofort faz parte de um projeto global, já que a falta de ferro que causa anemia, a falta de vitamina A que causa cegueira são problemas mundiais. O Brasil trabalha em rede com outros países, pesquisando determinados cultivos para ir aumentando a qualidade nutricional.

Embora os técnicos da Embrapa já estejam chegando a variedades melhoradas, Marília Nutti esclareceu que o projeto nacional ainda deverá se estender por um período de cinco a dez anos. A variedade de mandioca, por exemplo, que será lançada na reunião em Sergipe ainda é intermediária. “Porque a gente chegou a nove microgramas por grama de betacaroteno, mas o nosso alvo é chegar a 15”.

No Brasil, a equipe é formada por 150 pesquisadores de 11 unidades da Embrapa, além de universidades e institutos de pesquisa. Países da América Latina, África e Ásia também estão envolvidos no projeto de biofortificação de alimentos. Em cada um deles são pesquisados cultivares próprios.

No México e na Guatemala, por exemplo, o milho é o cultivo mais importante. “O projeto tem que se adequar aos hábitos alimentares dos países”, explicou Marília Nutti.

Matéria de Alana Gandra, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 02/06/2008.