Ferramenta de gestão territorial da região Amazônica brasileira, o Sistema Interativo de Análise Geoespacial da Amazônia Legal (Siageo Amazônia) foi atualizado e ampliado com dados completos dos nove estados brasileiros que o abrangem: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e o oeste do Maranhão. Em sua versão inicial, somente o Acre estava com informações completas. A capacitação de 150 técnicos do governo em sete estados permitiu expandir a base de informações para toda a região.Leia mais aqui.
O Portal Siageo Amazônia [ http://www.amazonia.cnptia.embrapa.br/] é uma plataforma integrada de dados geoespaciais que pode ser acessada por qualquer pessoa interessada e é particularmente útil para pessoas e instituições que atuam em áreas relacionadas a planejamento territorial: agentes públicos, empreendedores rurais, agrônomos e diferentes esferas do governo. Lançado em setembro de 2015, o sistema disponibiliza na web diversas informações resultantes do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) da Amazônia Legal, como mapas de gestão, solos, geologia, cobertura vegetal e uso da terra, áreas protegidas, etc.
Agora com uma base mais completa de dados atualizados da região, qualquer pessoa pode usar o módulo bancário e carregar os dados de sua propriedade ou empreendimento que o sistema emite um relatório de análise espacial contendo subzonas de gestão, unidades de conservação, terras indígenas e solo (pedologia), indicando as áreas no mapa e as respectivas legendas. Esse recurso auxilia na tomada mais rápida de decisão pelos fazendeiros e empreendedores e também facilita análises para concessão de crédito rural pelos agentes do sistema financeiro.
O sistema beneficia especialmente os gestores, produtores e consultores ambientais. Um empreendedor pode, por exemplo, identificar rapidamente em que tipo de solo se encontra a sua propriedade ou a que distância se localiza determinada terra indígena ou unidade de conservação. Da mesma forma, o agente financeiro pode elaborar um relatório espacial referente às condições ambientais de uma fazenda para melhor análise sobre a concessão de crédito rural.
Para o pesquisador João Vila, da Embrapa Informática Agropecuária (SP), o Siageo é uma ferramenta de planejamento e de conhecimento. “Para qualquer lugar da Amazônia Legal, com um simples clique posso saber qual é o tipo de solo e de vegetação desse ambiente e qual é o planejamento que o governo, em conjunto com a sociedade, indicou para a região. O Siageo traz esse conjunto de informações, de forma fácil e rápida, o que ajuda a fazer uma análise integrada e a decidir como produzir com segurança e menor impacto ambiental”, explica.
A ferramenta, um dos produtos do projeto “Uniformização dos ZEE da Amazônia Legal (UZEE-AML)”, valoriza as particularidades dos estados e dos municípios ao mesmo tempo que possibilita uma visão macrorregional. O sistema permite disseminar o conhecimento técnico sobre a Amazônia Legal e subsidiar a formulação e a implantação de planos, programas e políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da região.
Na visão do gerente de ZEE do Ministério do Meio Ambiente, Bruno Siqueira Abe Saber Miguel, um dos pontos fracos do Zoneamento Ecológico-Econômico era a ausência de disponibilização das informações geradas à sociedade. “A principal contribuição do Siageo foi tornar essas informações acessíveis aos diferentes usuários, sem nenhuma restrição de uso tanto para o governo quanto para a sociedade civil, e que eles possam se valer dessas informações para tomar melhores decisões sobre uso dos recursos naturais”, afirma o gerente.
A base de informações inclui dados sobre zoneamentos ecológicos-econômicos, solos, clima, vegetação, aptidões agronômicas e aspectos socioeconômicos, legais e institucionais que são úteis aos gestores públicos, instituições de fomento e secretarias de estado e municipais, constituindo-se no mais completo e acessível portal de dados geoespaciais da Amazônia Legal. Com isso, é possível conhecer melhor o território amazônico, avaliar potencialidades produtivas e estimular a preservação ambiental.
22 de janeiro de 2017
Uma Ferramenta: Portal Siageo Amazônia
3 de junho de 2009
Mandioca Biofortificada
Os brasileiros poderão contar, na sua dieta alimentar, com mais um produto, cujo valor nutricional foi enriquecido por pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos. Trata-se da mandioca Jari, que está sendo lançada nesta semana durante a 3ª Reunião Anual da Biofortificação no Brasil, que ocorre até sexta-feira (5) em Aracaju.A pesquisadora Marília Nutti, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, coordenadora do projeto de biofortificação no país (Biofort), informou que foram cruzadas variedades de mandioca, também conhecida como aipim e macaxeira, até obter mais pró-vitamina A, que é o betacaroteno. Esse antioxidante ativo é um precursor da vitamina A e está presente em diversas frutas e legumes, como a cenoura.
A falta de vitamina A no organismo causa problemas de visão e anemia, que afetam mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Então, se a gente tiver, em vez da mandioca branca, a mandioca amarelinha, ela vai estar nos ajudando, suprindo a deficiência de vitamina A”.
O trabalho de melhoramento que resultou na mandioca Jari foi voltado, principalmente, às crianças e às classes menos favorecidas, que não têm acesso a frutas e verduras, ricas em carotenóides e betacaroteno. Durante o encontro em Aracaju, será lançada também uma cartilha sobre cultivo e consumo de batata doce.
“O nosso projeto trabalha na tentativa de ter os alimentos básicos com maiores teores de pró-vitamina A, ferro e zinco. A gente conseguiu chegar a uma batata doce bem laranja, quase cor de abóbora, com altos teores de pró-vitamina A”.
A cartilha será distribuída ao público infantil. Por meio das crianças, o objetivo é chegar aos pais, principalmente o pequeno produtor, ensinando como plantar essa batata doce. “E a criança vai poder explicar porque ela é importante, em uma linguagem bem acessível”.
Os pesquisadores do projeto Biofort se dedicam também a estudos para enriquecimento do feijão, arroz trigo, milho, abóbora e feijão-caupi (xique-xique). No caso do feijão, eles já obtiveram maiores quantidades de ferro e zinco. “A meta é melhorar a saúde e não somente a desnutrição. A nossa meta é, principalmente, o que a gente chama de “fome oculta”, que é a deficiência de micronutrientes. E melhorando essa deficiência, haverá um impacto na desnutrição também”, disse Nutti.
O Biofort faz parte de um projeto global, já que a falta de ferro que causa anemia, a falta de vitamina A que causa cegueira são problemas mundiais. O Brasil trabalha em rede com outros países, pesquisando determinados cultivos para ir aumentando a qualidade nutricional.
Embora os técnicos da Embrapa já estejam chegando a variedades melhoradas, Marília Nutti esclareceu que o projeto nacional ainda deverá se estender por um período de cinco a dez anos. A variedade de mandioca, por exemplo, que será lançada na reunião em Sergipe ainda é intermediária. “Porque a gente chegou a nove microgramas por grama de betacaroteno, mas o nosso alvo é chegar a 15”.
No Brasil, a equipe é formada por 150 pesquisadores de 11 unidades da Embrapa, além de universidades e institutos de pesquisa. Países da América Latina, África e Ásia também estão envolvidos no projeto de biofortificação de alimentos. Em cada um deles são pesquisados cultivares próprios.
No México e na Guatemala, por exemplo, o milho é o cultivo mais importante. “O projeto tem que se adequar aos hábitos alimentares dos países”, explicou Marília Nutti.
Matéria de Alana Gandra, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 02/06/2008.