3 de julho de 2014

A briga de foice pelo poder no Pará

A postagem do professor Edir Veiga, no Bilhetim mostra como deverá ser a briga pelo poder no Pará:

 


Jatene e Helder formaram super coligações eleitorais. Ou seja, o segundo turno acontecerá ainda no primeiro. A iminente inviabilização da candidatura de uma terceira via competitiva, representada pelo ex prefeito Duciomar Costa parece que se materializa. Caso as demais candidaturas dos micro partidos não atinjam 5%  de votos, a eleição poderá se decidir em primeiro turno.
A presença de diversas candidaturas governistas ao senado  potencializa a vitória da candidatura da coligação PMDB/PT, representada pelo ex-deputado federal Paulo Rocha.
As possibilidades de vitória da recandidatura  Jatene é inversamente proporcional à estruturação da candidatura Helder nos grandes centros urbanos do estado. Caso os governistas não consigam demonizar Helder, as chances desta oposição moderada aumentam enormemente.
Assistiremos uma das eleições mais sangrentas dos últimos 30 anos (negrito pelo blogger) para o governo do Pará. A agenda negativa deve ser hipertrofiada, tendo em conta o equilíbrio da disputa em curso. O voto de esquerda e progressista deve ser dividido entre o PSOL (5%) e os votos brancos e nulos(5%).  Os votos brancos e nulos, que sempre ficam em torno de 6%, deve chegar, nestas eleições ao montante dos 11%, o que representaria em torno dos 450 mil votos de protesto.
Contra Jatene pesa o longo período de mandonismo do PSDB no Pará e contra Helder pesaria a disputa bipolar dos meios de comunicação,  onde o nome de Jáder e sua relação com acusação de corrupção é constantemente retroalimentado pelo grupo de comunicação rival.
Jatene enfrentará outro adversário terrível que é a agenda pública que hoje assola o País, e que é materializada por reivindicações sintetizadas nas jornadas de junho de 2013, onde a eficácia dos serviços públicos é uma exigência do cidadão comum das cidades brasileiras: saúde, segurança e saneamento sintetizam estes clamores. Nas grandes cidades soma-se  o desejo por uma mobilidade urbana que humanize idas e vindas ao trabalho cotidiano.
Contra Helder, pesará subsidiariamente  sua história na administração pública, representada pelo balanço de seus 8 anos à frente do governo de Ananindeua. Enfim, estas eleições desnudarão os Reis. Quem for podre vai se quebrar.
Todas minhas pesquisas informais indicam que a experiência administrativa e a capacidade em realizar serão os critérios fundamentais para  o eleitor mediano escolher seu candidato ao governo.  Somente 10% do eleitorado  levará em conta a questão da corrupção para decidir o seu voto. Portanto, será o voto retrospectivo que orientará a tomada de decisão do eleitor paraense.
Como esta eleição deverá ser marcada pelo alto grau de acusações mútuas, existiria teoricamente o espaço para uma terceira via competitiva. Mas a esquerda, representada pelo PSOL, abriu mão de nomes com poder para competir porT esta possibilidade, e por isso, dificilmente a população encontrará uma alternativa perceptiva eleitoralmente capaz de fazê-la  descartar as alternativas que se apresentarão.
Estas são as tendências que percebo hoje. Mas poderemos ser surpreendidos ainda, por um percentual de votos brancos e nulos muito acima de minhas previsões iniciais.
Tenho dito.
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