1 de abril de 2013

O Primeiro Ano do IHGTap



Pe. Sidney Augusto Canto (*)


Todo parto tem as suas dores... Mas, findo o parto, ninguém mais se lembra da dor ou do sofrimento, permanecendo apenas as alegrias e as esperanças que uma nova vida pode trazer para o seio de uma família. Durante o primeiro ano de vida, a criança é cercada de proteção e carinho. Espera-se ansiosamente pelo seu crescimento, que fale a primeira palavra e que comece a dar os primeiros passos...
Após as dores de gestação, as alegrias do nascimento, vieram as primeiras palavras e os primeiros passos do nosso Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós - IHGTap, que também se fortalece e cresce.
As primeiras palavras foram de alegrias e esperanças, dadas dentro de um contexto desafiador. Por muitos anos a “salvaguarda” de documentos e do registro histórico estiveram nas mãos de algumas pessoas que com esforço e dedicação ímpar, fizeram o que podiam para manter viva a memória de nossos antepassados. Contudo, isso foi sendo feito de maneira quase que amadora, e muitos dos livros e documentos da nossa história se perderam com o tempo.
Os primeiros passos foram nesta direção: a do resgate. Resgatar é dar nova vida, recuperar a memória... Memória, que tem o sentido não somente de lembrar o passado, mas de tornar presente a vida de nossos antepassados, seus atos, seus sonhos, suas lutas, seu conhecimento. Não por acaso o lema do IHGTap aponta para o conhecimento. Não um conhecimento qualquer, mas um conhecimento regional, amazônico, que resgate a vida de nossos povos, sejam eles caboclos, ribeirinhos, índios, imigrantes, rurais ou urbanos.
As “Rodas de Conversa” nos apontam este caminhar que temos que percorrer. Mas não somente elas... Nosso informativo “Primeiras Notícias” e nossa “Revista” completaram esse quadro de recuperação da nossa identidade e da nossa memória neste ano que passou. Temos agora que dar novos passos, sem esquecer os passos que já foram dados e que nos fortalecem para alcançar o objetivo do nosso caminho, e não somente em Santarém, mas em todos os municípios que fazem parte do Baixo Amazonas e Tapajós.
Assim como o antigo ditado latino diz que “Roma não foi feita em um dia”, nós também não podemos ter a pretensão de fazer tudo em um ano. Fizemos o que foi possível, mas muito ainda tem que ser feito. A conquista de um espaço físico nos ajudará a coletar, organizar e disponibilizar documentos e informações para futuras pesquisas.
Agora, com o crescimento, não somente do número, mas também da qualidade, representado nos novos sócios que o IHGTap acolhe em seu quadro social: maestro Agostinho Fonseca Neto, o “Tinho”; Dom Bernardo Balhmann, Bispo da Diocese de Óbidos; Dom Wilmar Santin, Bispo da Prelazia de Itaituba; Eduardo Dias, produtor cultural, poeta, músico; Lila Bemerguy, fotógrafa e professora; William Coelho, administrador e professor; Célio Simões, advogado e escritor; além do novo presidente de honra na pessoa do prefeito Alexandre Wanghom.
Esperamos avançar mais, dar novos passos e colher com alegria novos frutos... Aproveito para agradecer a todos os membros da Diretoria e também aos demais sócios que se esforçam, em conjunto conosco, para que cada dia mais a nossa história, geografia, e ciências afins sejam discutidas, valorizadas, conhecidas e amadas por todos os que vivem e amam nossa querida Amazônia.



(*) É presbítero da Diocese de Santarém, membro da Academia de Letras e Artes de Santarém - ALAS e atual Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós - IHGTap.
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