13 de fevereiro de 2011

Paulo Paixão: Conversa de bar


 Paulo Paixão
             
 Novamente estive em Santarém, em parte do mês de dezembro/2010 e todo o mês de janeiro/2011, por sinal, desta vez passei o natal e ano-novo com minha mãe, irmãos e amigos e foi tudo bom demais.
              Não tive o privilégio de participar dos encontros itinerantes em bares, tal como os parceiros Floriano e o Jeso organizam e que eu achei excelente idéia. Todavia, todos os dias freqüentava bares ou botecos para me inteirar do que, realmente, ocorre ou do que possivelmente pode ocorrer nessa cidade de sonhos. Algumas vezes reuníamo-nos na chácara do meu mano, o delegado Luis Paixão, e ali numa dada ocasião passamos um dia todo rindo a beça das sacanagens do Peri Miranda (Peri Peripécias). Meus amigos tomavam cerveja de latinha e eu, sempre tomava o tão famoso vinho Pérgalo, por razões pessoais.
              Bem, os papos, como todos bebedores sabem, podem variar de futebol a política e os nossos não foram exceções. Falamos de pescarias, futebol, política, praias, gatas, casos e casos, etc. E assim rolavam os papos:
- Este ano a coisa está mais feia no mercado. Tanto a carne quanto o peixe subiram de preço e atingem patamares incontroláveis.
- É. Mas isto se dá neste início de inverno quando o peixe é mais escasso mesmo, e ainda tem o período do defeso, depois... fica pior ainda...
Sorrisos. Ninguém justificou a subida do preço da carne, porém, já vi em cadeia nacional repórteres falarem em aumento do preço da carne derivado de conjuntura econômica de influência internacional. Tira-gosto pra cá, uma dose de cerveja ou vinho pra ali, o papo continuou:
- E o São Raimundo (pejorativamente Mundico para todos em Belém) vai decolar ou não?
- Que nada, não há condições para isso! Por quê? Um clube que é dirigido por pessoas que nunca jogaram bola ou nunca participaram de eventos esportivos mesmo como cartolas, que entendem “mesmo de futebol”?
- Se entendessem pelo menos de administração não desperdiçariam montão de cacau contratando jogadores de fora, já descartados pelos clubes maiores.
- Deveriam é contratar olheiros para observarem valores regionais que nós temos aqui de sobra.
- Verdade, verdade, lembram do Jeremias, Cabecinha, Edvar, Cuca, Manoel Maria, Bimba, Bendelack, Acari, Amiraldo, Bosco, Galo, Afonso, Tovica e tantos outros mais?
- Pois é, os times de Santarém do passado, embora amadores não nos davam vergonha...
E a conversa começava a esquentar. Ria-se a vontade. Falava-se das belas mulheres, do bar teatro vinil, de música, de faculdade, dos artistas...
- Mudando de assunto, Paulo. Que achaste de Santarém, agora.
- Bem, Santarém é linda por natureza (em duplo sentido), porém, sinto-me traído, pesaroso, depressivo e, às vezes, até desesperançado...
- Com o que?
- Nossas ruas... Nunca vão ser asfaltadas. Asfaltadas sempre as mesmas do centro da cidade, mas a cidade já cresceu muito e a infraestrutura é péssima. Sonho em ver, pelo menos, oitenta por cento da cidade asfaltada e as demais ruas, pelo menos, limpas, e com tratamento de esgoto. Sonho com a principal Rua do Aeroporto Velho, onde se situa a prefeitura, transformada em deslumbrante complexo urbano, dividida em quadras para praças com chafarizes, prática de esporte, arborizada, bem iluminada e adequada para eventos tantos como a semana da pátria, quadra junina, shows musicais, feiras artesanais, etc. É uma pena, é uma pena tanto desperdício, tanto marasmo, tanto ócio, tanta falta de iniciativa...
- Parceiros, vamos levantar vela, mato tem olhos e parede tem ouvidos. Já estamos ficando embriagados...
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