Geologia e Ambiental

7 de setembro de 2010

Pra um tal de Guilherme

O Bugio Apaixonado
(Conto Infantil)
Moisés – Maringá/PR

Diz que certa vez, na savana, antes que os homens chegassem por lá com rifles, havia uma comunidade de animais que, apesar de algumas diferenças básicas, conseguiam viver de forma harmônica, sem que qualquer um fosse capaz de armar qualquer arapuca para outro. Uma espécie de Éden sem o Adão e a Eva.
Tinha de tudo, leões, tigres, girafas, zebras, antílopes, tudo, menos hienas. Os leões, que administravam a comunidade, não se acertavam com elas.
Alguns animais chamavam os leões de radicais, mas eles se defendiam alegando que hienas são perigosas, não pelo fato de atacarem pelas costas (lembrem que os leões só atacam de frente), mas, sim, porque eram considerados animais falsos, riem para disfarçar e atacam pelas costas, até as hienas feridas. Além do mais, hienas são sarnentas, feias e não respeitam nada além de seus próprios interesses, como todos viram no desenho "O Rei Leão".
De tanta papagaiada que ouviram (não só dos papagaios), alguns leões começaram a pensar no assunto e convenceram os outros de que as hienas deveriam ser admitidas, afinal, se eles formavam uma comunidade diferente, não havia sentido proibir a entrada das sarnentas, era contrariar a idéia da comunidade.
Foi acertado que uma fêmea seria admitida, já que as matilhas de hienas são comandadas por uma fêmea, como se para um estágio. Um dos leões foi conversar com ela:



  • Então, hiena, tem certeza do que você quer? Consegue viver no meio de um grupo destes?


  • Claro – disse a hiena, sorrindo – desde pequena eu me sinto diferente da matilha que me criou e do meu meio. Sempre quis encontrar animais como vocês, diferentes do que está aí fora.


  • Mas não é muito fácil. – disse o leão – Você precisa controlar todos os seus instintos normais de hiena e não pode fazer nada contra ninguém da comunidade. Qualquer problema que surja, você deve falar sempre a verdade a todos. Não há punições, mas as coisas se resolvem com franqueza. Todos os animais daqui atacam sempre pela frente.


  • Eu consigo, leão – continuou a hiena, gargalhando e escondendo um pouco o rosto – tenho certeza que eu consigo. Quero entrar para não ser igual a matriarca da minha matilha, que se fazia de doente ou de morta para atacar os membros que ela não gostava ou mantê-los sob sua forte mandíbula.


  • Com o tempo, então, se você quer tanto mudar, você aprenderá. Em nome dos leões eu lhe dou as boas vindas e ajudo você no que for preciso, mas lembre, nunca esqueça de controlar o lado mau do seu instinto.


  • Pode deixar, leão – gargalhou a hiena – eu vou controlar, sou nova, ainda, mas consigo. Um dia terei minha própria matilha e ensinarei a eles tudo diferente do que aprendi na minha. Serei uma matriarca diferente.
Feito isto, o leão anunciou a todos a entrada da hiena.
Os leões costumavam acompanhá-la de perto, no início, como se mostrava prestativa e inteirada, foram deixando a hiena à vontade, apesar dela nunca ter se livrado do riso comum e da mania de, vez por outra, dizer que estava fraca, como as hienas comuns.
Um dia, o bugio que fazia parte do conselho acabou se encantando com hiena, era o mais crédulo dos bichos e ela sabia disto, por isso ria para ele sempre, que não conseguia distinguir se o riso era instinto e sinal de ataque ou uma declaração de amor, dizendo sempre coisas lindas para pobre símio.
De repente, alguns leões e o outros animais começaram a perceber que algo estava errado. A hiena punha-se a reclamar de todos os bichos ao macaco apaixonado, claro que da forma como a matriarca de sua matilha fazia, ou seja, fingindo: "Hoje eu não posso dar atenção a você, meu amado bugio, porque o tigre pediu que eu fosse caçar por ele.", "Preciso trocar de caverna, minhas amigas, uma fêmea de leopardo e uma fêmea de zebra, fazem muito barulho enquanto dormem e eu não consigo dormir."
O pobre bugio correu toda a savana procurando uma toca exclusiva para hiena, mas todas estavam ocupadas, salvo a que servia para as reuniões do conselho. O Bugio propôs para a fêmea lince, à fêmea raposa e ao leão que a hiena pudesse usar a toca do conselho:


  • Coitadinha da hiena. Ela está se sentindo mal, precisa de um lugar só para ela, assim poderá produzir mais.
Pouco valeu, entretanto, a defesa do bugio. O conselho foi imperativo, nada de regalias. A comunidade era daquele jeito e pronto. A hiena que se adaptasse, como fizeram todos os outros animais.
O bugio, triste e apaixonado, levava a hiena todas as noites para a ver as estrelas e, depois, até a porta da sua caverna. Ela sorria baixinho, para fazer um afago, e logo em seguida, no que o bugio virava as costas, rosnava para as parceiras.
E assim foi a hiena, reclamando da macaca, amiga do bugio de anos, o que fez o bugio propor a expulsão da macaca da comunidade, o que também foi reprovado pelo conselho. Mais uma reclamação e o bugio queria avançar na fêmea lince, que junto com ele e o leão, fundaram e ajudaram a comunidade a crescer. Para não ficar muito chato, a hiena manteve-se amiga íntima da raposa (conselheira do bugio e esperta como toda boa raposa) e tentou não bater de frente com o leão (lógico, hienas não atacam ninguém de frente).
Já havia um mal estar generalizado na comunidade por causa da hiena. Ela reclamava de todos, mas ninguém falava nada, com medo que o bugio, enfurecido, usasse de sua arma mais repulsiva, ou seja, fazer cocô na mão e atirar em todos, até nos amigos.
Um dia, porém, a hiena, pelas costas, tentou atacar o leão, aquele que conversou com ela. O leão percebeu e ficou furioso. Mas em consideração ao amor do bugio, resolveu conversar com ele e não atacar a hiena.
No fim, o bugio se voltou contra o leão e, nervoso, jogou cocô no amigo e preferiu continuar venerando o sorriso da hiena.
A comunidade se desfez. O leão foi embora. O bugio continuou com alguns dos bichos, triste porque a hiena, assim que viu que não precisava mais dele, se mandou, feliz sorrindo e atacando pelas costas para sempre. Dizem que formou sua própria matilha e faz com os membros o mesmo que fazia a sua matriarca. A lince e a raposa fazem de conta que ainda ouvem o bugio, mas apenas para que ele não use sua arma como fez com o amigo leão.
E a África perdeu seu Éden.
Moral da História: "Alguns animais nunca conseguem ser diferentes da matilha"

Aqui as hienas são os petistas, é claro!


E os outros animais serão sempre a similaridade com outros políticos. Uns abobalhados e outros que não conseguem ser firmes e deixam as hienas entrar no circo e esculhambar tudo.
PT = hienas. Sempre

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