20 de março de 2010

De Paulo Paixão: A solidão



A esta etapa da minha caminhada,
Já exausto e precisando de uma
Sombra reconfortante, paro e penso:
Por que me tornei, de súbito, um solitário
Temeroso?

“Lobo da estepe”, um clássico de Hesse
Que proclama a solidão do homem
Neste universo grandioso
Que sufoca a pequenina (já por
Seu tamanho descomunal)
E imperceptível centelha de luz
Que somos todos nós...

O que vem por trás do tempo?
Ondas gigantes do mar insano?
A cada ano, a intensificação dos
Vendavais, do frio intolerável, do calor
E das secas infernais? 

Pó trás do tempo o vento endoidecido
Obedece a ordens celestiais?
Vem a negrura, a vermelhidão e os ais?
Desespero, redemoinho de corpos
Inertes, desencontro de informações...
E o vento castigando impiedoso...
De nada adiantando as blasfêmias, as
Indignações!

Para onde vão os amores, as amizades
Verdadeiras?
Os bichinhos que criamos,
Para onde vão?

Muitos dos meus se foram
Na passagem do vento
E outros mais irão.
Solitários, continuaremos,
Uivando como lobos nas pradarias
Da imensidão?

Eu me vou numa das passagens
Do vento...
Temo sim, deixar para trás a música suave
E romântica;
A moça viçosa dos meus versos soltos;
O banho prazeroso nas águas frias
Das bicas e dos córregos;
O chão que pisei tantas vezes;
A casa de taipa que morei;
O velho limoeiro que reguei...

Lastimo tanto as separações
E nossa estada na Terra
Tão breve, mas tão aprazível...
Lamento as perdas dos amores,
Que, como as flores,
Mostram o seu viço, sua beleza,
Mas num certo dia,
Murcham e se perdem pelo chão,
Dando vez a outras
Que enfeitam e perfumam
Os jardins.

Maldita sina de todas as vidas!
Suas passagens são esquecidas!
Maldita terra, que tudo enterra,
Sem se importar com o desespero,
A dor e a saudade dos que ficam
E a incerteza, o medo e a eterna solidão
Dos que vão!





Paulo Paixão
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