7 de novembro de 2007

JARDIM PODE

No Blog da Alcinéa Cavalcante, um poema de seu pai Alcy Araújo Cavalcante, sobre as homenagens:

Como tenho sido pisado
espezinhado, espinhado, repisado
pela vida, pelos desencanto
se desesperos, angústias, desamores.
Canto a terra
a dor dos aflitos
e a inútil esperança dos desesperançados.
Também os negros, os índios e o verde
e presto relevantes serviços topográficos
demarcando itinerários de poesia.
Quando eu morrer
algum vereador
que leu ou sentiu meu verso
que sabe ou ouviu falar do meu cantar
apresentará projeto de Lei
para que eu vire beco, rua ou avenida.
Não quero esta homenagem
Recuso até ser praça
alameda, assim também parque ou estrada.
Quero ser um teatro
um obelisco, uma escola.
Academia também não.
Rua, avenida, beco, não quero não.
Não quero que continuem pisando em mim.
Pisar em mim,
só se eu virar jardim.

Que lindo!

Homem de valor que merecia muito, muito mais do povo amapaense.

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