Geologia e Ambiental

26 de agosto de 2010

O velho vinil

De Paulo Paixão


Thê, thê, thê...xi, xi, xi...
Faz a agulha no velho vinil.
Depois..., uma guitarra chora
Uma canção de despedida...

Uma voz rouca e aveludada
Explode em emoção...
Te amo, te amo, te amo...
Volta, vem me dar calor
Vem aquecer-me,
Que o inverno chegou...

A bateria repica compassada...
Amassa a dor persistente
E um piano jorra borrifadas
De poesias ondulantes...

O violino arremete a imaginação
Para uma paragem desértica,
Onde os prantos se perdem
Entre os gemidos do silêncio...

As lágrimas rolam de um rosto
Roto de saudade
E de pesar...

De uma taça, as espumas
Borbulham queixas
Que uma boca amarga
Sufoca entre tragos
Cada vez mais afoitos...

E agora, a guitarra,
A voz rouca de veludo,
A bateria e o violino
Encravados no velho vinil
Recolhem-se ao seu fado
E o rosto roto de pesar
Cerra seus olhos...
O sonho acabou...


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