3 de dezembro de 2005

UHE BELO MONTE

Cutucado pelo Juvêncio Arruda (www.quintaemenda.blogspot.com) sobre a nota de decisão do plenário do STF sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pela Procuradoria da República sobre a Usina Hidroelétrica (UHE) de Belo Monte, que vai "incomodar" os municípios de Altamira, Anapu (pólvora pura), Vitória do Xingu, Brasil Novo, Gurupá, Medicilândia, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu resolvi ler sobre esta obra nos sites do governo (www.belomonte.gov.br), no site do ISA (www.socioambiental.org.br) e em outros menos populares.
Ufa! estes foram os municípios definidos pela Eletronorte como a área de abrangência de Belo Monte, locais que contam com Floresta de Terra Firme e Floresta de Várzea. Cerca de 250 mil pessoas vivem na região, que tem como elemento integrador a Transamazônica e o Xingu em sua parte navegável e Altamira como maior centro urbano local, com cerca de 65 mil habitantes. Fiquei boquiaberto com a "esperança" de melhoria de vida colocada nos indicadores sócio-economicos. Se realizados àqueles índices, a região será o melhor lugar da Amazônia mundo para se morar, viver e até morrer.
As linhas estratégicas de ação do Plano de Desenvolvimento Sustentável (PDS) são ambiciosas e trarão um desenvolvimento economico considerável à região. Pena que se pense nos que vão chegar e não nos que vão ficar para sempre na região e para os mais velhos que retirados dos locais onde moram nunca mais conseguirão ter uma adaptação ao modo de vida.
No Processo de Licenciamento deveria ser estabelecida uma nova rodada de audências públicas, antes da aprovação do EIA/RIMA, para verificar se as sugestões apresentadas convergem àquelas propostas e, se necessário, fazer novas colocações. Afinal, o processo é dinâmico!
Em relação aos Povos Indígenas evindecia-se a "Experiencia da Eletronorte" mas este trabalho foi realizado no entorno da UHE Belo Monte? Não cabe especulação no Estudo de Impacto Ambiental. Tem que haver levantamentos antropológicos concretos. Afinal, cada povo tem a sua característica, senão a FUNAI não se abalaria para aproximar novas tribos.
A produção de energia elétrica, a partir de Belo Monte será desastrosa para os ecossistemas e para os povos ribeirinhos (novidade de quem mora às margens de rios e lagos) e trarão benefícios para os grandes consumidores do eixo Sul-Sudeste. Como sempre um décimo da energia gerada será consumida pea região produtora, o resto ...
Então, é valido pensar em crescimento de consumo de energia e afetar um modo de vida socialmente estabelecido à séculos na região?
É válido pensar em construir novas usinas de produção de energia elétrica se, paulatinamente, se extermina os seus consumidores, através do efeito cascata de extermínio da fauna, flora e seus habitantes?
Está na hora de se promover estudos mais profundos para encontrar alternativas. Mas, como, se o Governo não repassa verbas suficientes para a comunidade científica?
Vamos continuar discutindo ou quem sabe reviver a índia Tuíra para fazer novo gesto de advertência com o seu facão no rosto do Lula, desta vez.

Um comentário:

Juvencio de Arruda disse...

Muito obrigado por sua atenção em comentar o fato.Vou pensar sobre as suas considerações e retornarei.
Um abraço.