9 de janeiro de 2010

Desenvolvimento ‘Sustentável’? artigo de Maurício Gomide Martins

tudo pelo capital...
Imagem: Corbis/Charles Waller

[EcoDebate] Depois do relatório acusatório dos cientistas do Painel Intergovernamental da ONU, já ouvimos e lemos mais de duzentas palestras, entrevistas, informações, discursos, proferidos por pessoas que, institucionalmente, são ou se sentem autoridades no assunto ambiental. Todas são unânimes em tratar o problema vivencial do planeta de uma forma inteiramente em desacordo com a realidade. Pior ainda: defendem que o desenvolvimento deve ser feito de forma sustentável.
Eu me sinto desconfortável em minha inteligência ao ouvir alguém defender o desenvolvimento sustentável para ficar bem com a classe econômica e com os ambientalistas. Uns o fazem na intenção de colocar o desenvolvimento materialista em destaque. Outros, inadvertidamente, se deixam levar para a semântica que transformou a expressão em “sustentabilidade”, palavra que também é bandeira dos defensores da ecologia. Percebemos que aquele discurso está sendo dirigido a um rebanho de ingênuos, a quem compete apenas balançar a cabeça, como concordância cômoda e irracional.
Os participantes da engrenagem econômica repetem e defendem o mesmo bordão, porque conveniente aos seus interesses de ganância. Vem-me à idéia a imagem de alguém querendo me enfiar um enorme punhal na altura do coração, dizendo-me que isso me faria bem pois se trata de simplesmente de um punhal curativo. Ou os arautos da sabedoria estão inteiramente equivocados, provando assim que são incapazes de enxergar o obvio – o que os levaria à categoria de complacentes – ou estão munidos da satânica ferramenta lingüística da má-fé.
Uma breve análise do lema empunhado mostra sua verdadeira natureza. Desenvolver significa (vide dicionários): crescer, aumentar, progredir, expandir, tornar-se maior. Sustentar significa (vide dicionários): segurar, suportar, conservar, manter, reprimir, conter. Tradução: crescimento contido. É o mesmo que dizer: esfera quadrada; copo cheio vazio; tristeza feliz, e coisas que tais. Isso se chama paradoxo, absurdo, contradição. É contra esse dizer que não diz que nos insurgimos.
O que o planeta precisa, e com urgência, é de reversão civilizacional das atividades nocivas que o estão degradando. A sustentabilidade se fará naturalmente, pois será conseqüência de atitudes que sustentarão a capacidade planetária de prover os meios de vida à biodiversidade. Até o momento, é possível reverter o rumo do suicídio. Daqui vinte anos a sentença já estará dada.

“Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.
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