Onde tem fumaça..tem fogo
O Ministério Público encontrou irregularidades no processo de
licenciamento ambiental da nova siderúrgica Aços Laminados do Pará
(Alpa) que a companhia VALE pretende instalar no sudoeste do Estado, em
Marabá. A possível “pressa” da empresa para licenciar a usina criou
incongruências percebidas pelo MP e que podem colocar em risco a
segurança ambiental da região. Agora cabe à justiça do Pará analisar
pedido liminar do Ministério Público para realização de novas audiências
públicas, anulação da Licença Prévia e suspensão do licenciamento
ambiental da ALPA. Com a transferência do processo judicial da esfera
federal para a estadual, quem passa a atuar na ação é o Ministério
Público do Estado, com acompanhamento do MPF.
Entre as principais questões levantadas estão irregularidade na
realização de uma audiência pública, na qual os servidores responsáveis
pela análise e licenciamento ambiental da obra não estavam presentes.
Foi também apontada na ação civil que a primeira vistoria técnica
acontecia no dia da primeira audiência pública, logo estudos
suficientemente aprofundados não poderiam ter sido feitos, o que aponta
também o erro de ter sido concedida uma licença prévia recentemente. O
MP alega ser insuficiente o acesso ao EIA-RIMA para uma análise
apropriada e de acordo com a legislação, devido à pouca publicidade dos
estudos.
As análises de impacto desconsideraram também o desvio da BR-230 e a
ampliação do distrito industrial de Marabá. Por fim, critica-se a falta
de cautela com o controle dos gases poluentes emitidos pela usina, como o
benzeno. A ação civil diz que existem atualmente tecnologias mais
seguras para diminuir contaminação por efluentes perigosos.
Para o procurador da República Thiago Rabelo, responsável pela ação
juntamente com a a promotora de Justiça Josélia Barros Lopes é
“inadmissível que as coisas sejam conduzidas de qualquer forma, em
atropelo aos ditames constitucionais, legais e aos preceitos e
princípios que regem o procedimento de licenciamento ambiental,
afrontando o devido processo legal que, no que toca à tutela ambiental,
foi conquistado à duras penas, democraticamente".
(Laura Alves)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu comentário é moderado pelo editor. Os comentários anônimos poderão ser ou não publicados, desde que não tragam notas ofensivas, demonstrem situações ridículas ou informações descabidas aos leitores.
É sempre bom recordar que todas as postagens aqui mostradas são de responsabilidade do blogger e as notícias mostram a fonte consultada.