Decisão do TSE pode gerar impunidade eleitoral em 18 mil processos
O Ministério Público Eleitoral (MPE) prepara recurso
ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionando o entendimento do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre prazos de investigação nos casos
de doações irregulares para campanhas políticas. Decisão recente do
plenário do TSE determina que ações contra empresas e pessoas físicas
que fizeram doações dessa natureza devem ser ajuizadas até 180 dias
depois da diplomação do eleito. Fora desse prazo, os processos
perdem a validade. Ou seja, quem abusou das doações nas eleições de
2006 e de 2008 sairá ileso, sem punição. A estimativa é de que 18
mil processos serão arquivados. A norma foi publicada no Diário da
Justiça, na semana passada, e está no gabinete do procurador-geral
eleitoral, Roberto Gurgel, que também é procurador-geral da República.
Ele deve encaminhar o recurso ao TSE.
No último mês, procuradores eleitorais de todo o país travaram uma
batalha contra o tempo para encaminhar ao MPE todas as representações
que seriam prejudicadas pela norma. Os procuradores querem saber se a
regra valerá para estas eleições e como ficarão as ações ajuizadas
contra doadores de candidatos que não se elegeram. A procuradoria
eleitoral vai questionar também o fato de o próprio tribunal ter levado
muito tempo para remeter os dados.
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